sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

D. Izaura e sua gente – O adeus da matriarca

Cara leitora ou prezado leitor:

Esta é a décima-quarta crônica da série, na qual finalizo as histórias que eu tinha para contar sobre D. Izaura e sua gente..

Observação: Para conhecimento ou rememoração do leitor quanto às pessoas da família, mencionadas no texto, apresento novamente o diagrama genealógico de Izaura e Juca.



A mudança

Os  filhos  de D. Izaura  deixaram  o sobrado  aos poucos,  mudando-se  para  as respectivas casas  próprias.  Ao longo das crônicas anteriores, já mencionamos a saída de Cida e Francisco e do Doutor e Nazaré. Gentil e Fernanda, ao se casarem, foram  morar  no  bairro  Vila Nova Conceição  e  Yolanda,  Dr. Lauro e  Sérgio se mudaram para uma bela casa no bairro do Pacaembu (a sudoeste da rua Traipu, próxima ao bairro do Sumaré), construída pelo Sérgio. Helena, Narciso e Marilena se  mudaram  de   Bragança para  São Paulo,  mas  não  foram morar no sobrado; compraram um apartamento na Rua Conselheiro Brotero, no bairro de Santa Cecília. D. Glória e Lúcio permaneceram em seu pequeno sobrado e Armando, separado da esposa, voltou a morar na Galvão Bueno.

Assim, o “casarão”, como diz o Antônio Augusto, ficou superdimensionado para cinco pessoas (Olga, Vianna, Antônio, D. Izaura e Armando) e já requeria reforma. Os Vianna compraram uma boa casa no bairro da Aclimação e D. Izaura e  Armando foram morar com eles. Antônio Augusto conta assim:

“Nós  nos  mudamos  da  rua Galvão Bueno  em 63 ou 64.  Éramos meus pais, eu, minha  avó  e  o  Armando.  Fomos  para  a  Aclimação,  para uma rua residencial tranquila.  A  casa  era um s obrado que tinha pouca frente mas uns 40 metros de fundo, com salas e três dormitórios, mais as acomodações habituais. Lembro-me de que chovia muito no dia da mudança.”

D. Izaura passou a ter uma vida calma em que recebia visitas dos filhos e netos e se relacionava com os vizinhos.

Ciumara, irmã da Leilah, se recorda dessas visitas:

“Eu me lembro de que havia um rodízio das filhas para passar as tardes com a Vó Izaura na Aclimação. Mamãe (D. Cida) lia para ela uma novela que foi famosa na época.”

A então pequena Lígia, bisneta, filha da Marilena, hoje se recorda:

“Lembro da minha avó (D. Helena) saindo para a Aclimação, no “dia dela” de ficar com a mãe..."

Leilah visitava D. Izaura com a mãe e eu me lembro de ter ido à Aclimação algumas vezes. Leilah comenta:

"O dia que a minha mãe (D. Cida) ia visitar a vovó era sexta feira; visita sagrada, ela não deixava de ir. Era longe de casa, mas havia um ônibus elétrico que saia do Pacaembu e ia até a Aclimação. Quando podia, eu a levava; conversávamos e minha mãe fazia as unhas da vovó. Na hora que a gente ia embora, ela sempre mandava frutas, biscoitos, ou algum outro agrado para os meus meninos, que eram crianças naquela época. Ela sempre tinha, assim, uma atenção especial. Além disso, minha mãe também era encarregada de levar a vovó a consultas médicas; algumas vezes,  eu as levava aos consultórios, dirigindo."

A interação do grupo se manteve

Nesta fase, a gente de D. Izaura passou a se reunir, habitualmente, nas respectivas casas, especialmente para  comemorações de datas de adultos e crianças.

Depois de nós, Leilah e eu, casaram-se Sérgio com Regina, Marilena com Samuel e Ciumara com Cláudio. Os casamentos desses netos deram a D. Izaura os bisnetos: Luiz, Cássio, Francisco e Jurema, filhos da Leilah; Lauro e Bali (Maria Inês), do Sérgio; Lígia e Alexandre, da Marilena;  Marcos e Paula, da Ciumara. Com a separação de Armando e Terezinha, perdi o contato com seus filhos, Sandra e  Ricardo. Tenho a informação de que Sandra teve dois filhos e Ricardo, um.

Além dos encontros em São Paulo, a gente de D. Izaura fazia, também, programas de fins de semana, feriados  ou férias. Um grupo, liderado pelo Narciso e Helena, se reunia em uma casa de praia na Vila Mirim, um bairro da Praia Grande (ao sul de Santos), então em fase de crescimento. Era um lugar simples mas eles aproveitaram muito bem. Outros passaram a frequentar o Guarujá, onde Sérgio e Regina tinham um belo apartamento e o Antônio Augusto se animou e também adquiriu um. Leilah, eu e nossos filhos, na década de 60, também lá estivemos várias vezes em tempo de férias, alugando apartamentos.

Após nossa temporada nos Estados Unidos e a mudança para o Rio de Janeiro, encontrávamos o pessoal quando íamos a São Paulo.

Um evento, inusitado e marcante, foi a excursão que a turma fez para o Rio de Janeiro, em um fim de semana, para a comemoração de meus 45 anos, em 1977. Organizaram um grupo de que participaram, além da família propriamente dita, meus pais e o casal Antonieta e Hering. Hospedaram-se em um bom hotel. Leilah e D. Cida organizaram a festa lá em casa, em que houve até dança. Tivemos, também, um bom programa de praia em Ipanema, divertido, favorecido por um dia de tempo ótimo.


No início da década de 70, a matriarca estava bem idosa; veio a falecer em maio de 1971. Antônio Augusto conta:

“Vovó ficava num pequeno terraço na frente da casa e fez amizade com os moradores da casa do outro lado da rua. Eram a dona Dora, o marido, os pais dela e um irmão.  Boa gente ... Vovó já estava com idade avançada e, apesar dos cuidados do tio Zeca, acabou morrendo em sua cama, tendo como causa a famosa falência múltipla de órgãos.”

Ela se foi, deixando para sua descendência, que hoje chega a trinetos, o legado precioso de sua força.


Uma fotografia que guardo com carinho, respeito e gratidão é do bota-fora nosso (de Leilah, eu e os meninos) quando, em maio de 1968, embarcamos para nossa temporada em Chicago. Junto aos parentes e amigos, lá estava D, Izaura, firme aos 84 anos e meio, no aeroporto de Congonhas, para nos desejar boa viagem e sucesso na aventura.



D. Izaura ficou na lembrança da família e de todos que a conheceram como uma mulher forte. Repito, enfaticamente, minha declaração feita no início da série:

Entre as mulheres mais marcantes que encontrei na vida, destaca-se D. Izaura de Carvalho Corrêa.

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

A. Na foto do bota-fora estão parentes e amigos. Destacando-se, da esquerda para a direita, Gentil, D. Regina (mãe da Regina), Doutor, Marilena, D. Izaura, Olga, Kato (de óculos, meu compadre e grande amigo) Nair (tia da Leilah), Leilah, Washington, Osmar (meu pai), Vianna, Jaíra (minha prima) e Sérgio. Várias outras pessoas que compareceram não estão nessa foto, como minha mãe, D. Cida, Seu Chico, Ciumara e Antônio Augusto.

B. Cara leitora ou prezado leitor: abaixo, a lista das crônicas anteriores da série e respectivos links:

1) D. Izaura e sua gente – Introdução

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/02/d-izaura-e-sua-gente-introducao.html

2) D. Izaura e sua gente – A casa e os moradores

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/03/d-izaura-e-sua-gente-casa-e-os-moradores.html

3) D. Izaura e sua gente – Leilah na Galvão Bueno

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/04/d-izaura-e-sua-gente-leilah-na-galvao.html

4) D. Izaura e sua gente – Vovô Juca

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/05/d-izaura-e-sua-gente-vovo-juca.html

5) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 1

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/06/d-izaura-e-sua-gente-as-pessoas-1.html

6) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 2

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-apresentando-as.html

7) D. Izaura e sua gente – O baile do Odeon

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-o-baile-do-odeon.html

8) D. Izaura e sua gente – Lembranças do Gentil

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/08/d-izaura-e-sua-gente-lembrancas-do.html

9) D. Izaura e sua gente – Festinhas no sobrado

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-festinhas-no.html

10) D. Izaura e sua gente – O vestibular dos rapazes

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-o-vestibular-dos.html

11) D. Izaura e sua gente – Os turfistas

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/11/d-izaura-e-sua-gente-os-turfistas.html

12) D. Izaura e sua gente – Os politécnicos vestem verde-oliva

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2026/01/d-izaura-e-sua-gente-os-politecnicos.html

13) D. Izaura e sua gente – As reuniões no Pacaembu

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2026/01/d-izaura-e-sua-gente-as-reunioes-no.html?m=1

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

D. Izaura e sua gente – As reuniões no Pacaembu

Cara leitora ou prezado leitor:

Esta é a décima-terceira crônica da série “D. Izaura e sua gente”. Prossigo com as histórias.

Observação: Para conhecimento ou rememoração do leitor quanto às pessoas da família, mencionadas no texto, apresento novamente o diagrama genealógico de Izaura e Juca.



Além dos programas no sobrado da Galvão Bueno, a família se reunia com certa frequência na casa de Chico e Cida, no bairro do Pacaembu.

Quando conheci a família, os Mellone (sobrenome do Seu Chico) moravam na Vila Pompeia. Em 1950, mudaram-se para a bela e moderna casa que seu Chico projetou e mandou construir naquele bairro, um daqueles loteamentos de qualidade feitos na cidade pela companhia City de São Paulo. Coisa muito fina.

A casa da Rua Traipu

Passo a palavra à arquiteta Leilah:

"A casa da Traipu era famosa na família. Francisco, meu pai, a projetou por alguns anos, consultando a revista americana “Architecture & Ptojects”, considerando a topografia do terreno, sua posição em relação ao sol e os requerimentos específicos da City. O lote, em uma das colinas em que o bairro foi desenvolvido, tinha um forte aclive, o que exigia um trabalho grande de terraplenagem e um muro de arrimo. Assim, foi projetado um corte no terreno e um platô, onde foi construída a casa. Esta, um sobrado (térreo e andar superior) em formato de um L invertido (┌) deixando uma área grande, na entrada, para o jardim e outra no fundo do terreno, como quintal. Quanto à orientação do Sol, a face melhor da casa seria aquela que dava para os fundos; melhor porque teria mais aquecimento pelo astro-rei.

O Washington desenhou uma planta esquemática do térreo para ilustrar minha descrição:

No andar térreo meu pai projetou na parte horizontal do “L” invertido a sala de estar (o “living”) e a sala de jantar, sem parede divisória. A sala de estar tinha grandes portas de correr que abriam, na frente, para o jardim e, atrás, para o quintal. A sala de jantar abria para uma área menor nos fundos e se comunicava com a cozinha. Na parte “vertical” do “L” ele colocou  a cozinha e o quarto de empregada. Era uma coisa muito esquisita, naquela época, construir esses compartimentos de serviço na frente da casa, com vitrôs que abriam para o terraço de entrada junto ao jardim. A cozinha já tinha o conceito americano de uma mesa central e todos os armários junto à parede e comunicação direta com a sala de jantar. Tudo isso, hoje em dia, é muito comum, mas naquele tempo era uma novidade. Na cozinha nós tínhamos uma mesa usada para os cafés da manhã, mas papai sempre gostou de almoçar e jantar na sala de jantar.

O quintal era, na realidade, um jardim no fundo da casa, gramado, a menos de uma área atrás da sala de jantar, separada por um pequeno muro, onde havia um depósito e um pequeno galinheiro, destinado a um galo e galinhas garnisé. No jardim da frente, havia um pequeno tanque com peixes coloridos.

O jardim era limitado na frente por uma mureta de onde se tinha uma vista bonita do bairro em direção ao vale por onde corre a avenida Pacaembu.”

Na foto abaixo D. Izaura na mureta:


Por suas características, a casa se prestava perfeitamente para as reuniões da família de D. Izaura.


As reuniões

Um programa fixo era o almoço do primeiro dia do ano, para toda a família, a maior parte ainda morando na Galvão Bueno. Eu era convidado, inicialmente  na condição de amigo do Sérgio e da Leilah (depois, nosso namoro, noivado e casamento reforçaram minha posição).

Dona Cida combinava com D. Izaura e as irmãs o cardápio, a bebida, a lista de participantes etc. e o horário era estabelecido.

Leilah lembra:

"Nos almoços da família lá em casa, principalmente aquele do dia primeiro do ano, mamãe armava uma mesa que pegava toda a sala de jantar e até parte da sala de estar, mais comprida porque era muita gente, vinham as irmãs com os maridos, os filhos com as esposas e sobrinhos. Minha mãe tinha uma ajuda muito efetiva de uma moça que trabalhava de vez em quando lá em casa e de seu marido, que era garçom. Tia Glória, que era a pessoa da família considerada cozinheira de alto nível, trazia panelas (eu não me lembro bem que comida era) para esquentar lá em casa. Assim, ficava menos trabalhoso para minha mãe.

Aqueles almoços eram muito agradáveis, movimentados, simples, porém muito alegres."


As demais reuniões da família, ao longo do ano, eram também muito animadas e agradáveis, com o Lúcio e o Narciso se destacando na animação do ambiente com suas histórias.

Além dos aniversários, havia reuniões para um pôquer baratinho de que participavam seis jogadores, com eventual revezamento, e os demais, os acompanhantes, conversavam, ouviam música ou assistiam a algum programa de televisão.

No jogo, embora barato, o comportamento era sério, as regras eram bem conhecidas e alguns jogavam bem. Eu, frequentemente, participava – era o novato, carneiro entre lobos – tinha muita dificuldade para blefar e esperava pelas cartas melhores. No final das sessões, tendo ganho ou perdido, o valor era pequeno. Quando eu perdia, o Lúcio me consolava: “Veja: onde você iria se divertir tanto tempo por esse preço? Ficou barato”.


Narciso e família moravam no interior do Estado mas, sempre que podiam, iam a São Paulo. Nas férias, certamente. Ele contava causos das cidades em que morara e morava, mas, em especial, narrava sua viagem de lua de mel com Helena. De trem, de São Paulo a Jundiaí, enfatizando o grande apetite de Helena com os pastéis que eram vendidos no carro, comentando que, quando noivos, um dos predicados atribuídos a ela era que “comia feito um passarinho” (naquele tempo do marido provedor, era uma qualidade destacada da futura esposa).


O humor do Lúcio era intrínseco; contava com muita graça as histórias dos imigrantes italianos de seu bairro e aquelas do tempo da sua casa lotérica e de seus novos trabalhos. Lembro-me do caso que ele contava de um conhecido seu que, na juventude, era um extraordinário jogador de pingue-pongue (tênis de mesa), a ponto de ser chamado pelo Clube Fluminense, do Rio de Janeiro, para contratá-lo. Infelizmente, não deu certo, embora fosse realmente um craque; seu problema foi comportamental, pois, durante as partidas, acompanhava os pontos do adversário com palavras inadequadas (para dizer o mínimo) ao ambiente daquele clube, conhecido pela boa educação de seus sócios. Ao longo dos anos, o Lúcio o encontrava de vez em quando e via que ele não tinha mudado de jeito. Um dia, contou: o amigo apareceu no banco em que o Lúcio trabalhava. Este estava atendendo clientes na caixa; o amigo acenou de longe e falou bem alto: “Ei, Maesano, michou o bicho, hein!”, acompanhando a fala com o gesto de mão correspondente, daquele tempo (indicador e polegar apontados, os outros dedos recolhidos, e a mão balançando).


Diferente dessas reuniões, na casa foi realizada também a recepção do casamento da Antonieta, irmã do Seu Chico, com o Geraldo Hering (casal de noivos que frequentava as festinhas da Galvão Bueno). Devidamente preparada para a ocasião (toldo no jardim inclusive), a casa acolheu muito bem os convidados. Na foto, alguns dos participantes na sala de jantar:


Junto a essas lembranças, não posso deixar de mencionar aqui que foi também realizada na casa do Pacaembu uma cerimônia inesquecível para mim e Leilah: a de nosso casamento civil. Abaixo, os noivos e os pais:



A recordação assaz agradável de todos esses encontros, além de me emocionar, me faz meditar. E reforça minha impressão de que a convivência fraterna do grupo foi consequência de sua reunião no sobrado da Galvão Bueno, o reino de D. Izaura.

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

A. Na planta esquemática, que teve o objetivo de ilustrar a descrição da Leilah, não incluí o andar superior nem detalhes de escada interna e banheiros, para simplificar o desenho.  

B. Cara leitora ou prezado leitor: abaixo, a lista das crônicas da série e respectivos links:

1) D. Izaura e sua gente – Introdução

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/02/d-izaura-e-sua-gente-introducao.html

2) D. Izaura e sua gente – A casa e os moradores

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/03/d-izaura-e-sua-gente-casa-e-os-moradores.html

3) D. Izaura e sua gente – Leilah na Galvão Bueno

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/04/d-izaura-e-sua-gente-leilah-na-galvao.html

4) D. Izaura e sua gente – Vovô Juca

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/05/d-izaura-e-sua-gente-vovo-juca.html

5) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 1

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/06/d-izaura-e-sua-gente-as-pessoas-1.html

6) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 2

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-apresentando-as.html

7) D. Izaura e sua gente – O baile do Odeon

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-o-baile-do-odeon.html

8) D. Izaura e sua gente – Lembranças do Gentil

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/08/d-izaura-e-sua-gente-lembrancas-do.html

9) D. Izaura e sua gente – Festinhas no sobrado

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-festinhas-no.html

10) D. Izaura e sua gente – O vestibular dos rapazes

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-o-vestibular-dos.html

11) D. Izaura e sua gente – Os turfistas

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/11/d-izaura-e-sua-gente-os-turfistas.html

12) D. Izaura e sua gente – Os politécnicos vestem verde-oliva

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2026/01/d-izaura-e-sua-gente-os-politecnicos.html 

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domingo, 11 de janeiro de 2026

D. Izaura e sua gente – Os politécnicos vestem verde-oliva

Cara leitora ou prezado leitor:

Esta é a décima-segunda crônica da série “D. Izaura e sua gente”. Prossigo com as histórias. Mais uma vez, tenho de recorrer à memória para contá-las. De alguns detalhes não tenho lembrança precisa, mas da essência delas me lembro bem, apesar dos setenta e quatro anos de distância.

Observação: Para conhecimento ou rememoração do leitor quanto às pessoas da família mencionadas no texto, apresento novamente o diagrama genealógico de Izaura e Juca.


Início na Poli

Em 1951, Sérgio e Washington tornaram-se “politécnicos”, como eram conhecidos os alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Aliás, uma classificação que permaneceria ao longo de nossa vida profissional.

Tivemos a então tradicional iniciação do calouro (ou bicho, uma designação nada delicada): a raspagem do cabelo pela Comissão de Trote, eleita pelos recentes segundo-anistas. No nosso caso, o presidente dessa comissão era o aluno Paulo Salim Maluf, futuro político bastante conhecido no País. Por algum tempo, éramos submetidos a programas diversos, como sessões de educação física no jardim fronteiro à entrada dos edifícios da escola, situados à Avenida Tiradentes, no bairro da Luz.

O curso, desde o começo, se mostrou intenso, com matérias básicas, destacando-se Cálculo, Física, Geometria Descritiva, Topografia (esta nos levando a trabalhos na rua com teodolito, miras e balizas). Alguns professores eram catedráticos notáveis, competentes e experientes na lida com os alunos. Por exemplo, o professor Camargo, de Cálculo, era um dos mais temidos pela complexidade da matéria e pela sua exigência no desempenho dos alunos. Nas provas, exigia que todos deixassem seu material na frente da sala. Quando algum aluno perguntava se podia deixá-lo embaixo da carteira, dizia: “Não fora a proximidade da maçã, Eva não teria pecado”. Quando outro comentava que seus livros tratavam de outras matérias, declarava: “Nem sempre a capa coincide com o conteúdo”.   

O professor Cruz, de Geometria Descritiva, dava aulas desenhando épuras com um taquígrafo adaptado ao quadro negro e giz colorido apontado, o que resultava em verdadeiras obras de arte. Em consequência, nossos trabalhos na matéria tinham também de apresentar precisão e uma apresentação primorosa.

Como não havia disponíveis livros específicos para acompanhamento do curso, usávamos apostilas e anotações durante as aulas. Sérgio e eu fizemos amizade com outro Sérgio, o Cataldi, e formamos uma “panelinha” para anotações durante as aulas teóricas, pois nem sempre podíamos comparecer a elas.

Estudando muito para as provas parciais, procurando aprovação nas matérias antes dos exames finais (escritos e orais) tivemos sucesso e fomos aprovados com folga naquele ano, o que aconteceria também nos anos seguintes.

No final de 1951, previamente inscritos aos dezessete anos e tendo de prestar o serviço militar, Sérgio e eu fizemos os exames para ingresso no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) de São Paulo. Fomos aprovados.

Escolhemos a arma Engenharia, como vários de nossos colegas da Poli e estudantes de engenharia do Mackenzie e de algumas outras faculdades.

Devidamente inscritos, apresentamo-nos no quartel à Rua Alfredo Pujol, no bairro Santana, em São Paulo. Todos em roupa civil, de terno e gravata. Foram separados os grupos por arma (Infantaria, Engenharia, Artilharia e Cavalaria).

As primeiras instruções sobre os procedimentos e data do início do curso, incluíam  as especificações do uniforme de passeio (aquele usado em ambiente externo, quando não em exercício) que deveria ser comprado pelo aluno. Para uso no quartel ou atividade externa de treinamento, cada um receberia o uniforme de campanha (calça e gandola verdes, coturnos e gorro sem pala, também verde).   

Estabelecida a data de início do curso, Sérgio e eu tínhamos de mandar fazer urgente nossa farda de passeio e o respectivo quepe. Tivemos a ajuda valiosa do Barros, marido da Biá, que morava no Rio e ia a São Paulo com frequência. Ele conhecia um alfaiate especializado e nos apresentou a ele, devidamente recomendados; tivemos nossas fardas, muito bem-feitas, a tempo e com um bom desconto.

No CPOR

Em 1952, portanto, vestimos a farda verde-oliva.

Nossas atividades no CPOR se iniciaram em janeiro de 1952. Após chegarmos ao quartel e trocarmos a farda de passeio pela farda de campanha, tínhamos de estar na sala de aula bem cedo (não me lembro exatamente da hora, mas, em minha casa, eu tinha de me levantar às cinco horas da madrugada). Os meses de férias, janeiro a março e julho, eram o então chamado período contínuo, em que comparecíamos ao quartel nos dias úteis e descansávamos no fim de semana; nos meses de aulas na Politécnica (período descontínuo), o expediente no CPOR era nos fins de semana.

Levantar às cinco da manhã era algo muito difícil para nós. Durante o período contínuo eu arranjei uma carona com um colega da Infantaria que morava perto de minha casa. No período descontínuo, costumava ser mais difícil ainda, porque,  com frequência, Sérgio e eu voltávamos tarde da noite das festinhas e dos bailinhos. Nessas noites, eu ia dormir na Galvão Bueno. Quem nos acordava e servia o café era o Dr. Lauro, pai do Sérgio. Como este já tinha automóvel, conseguíamos chegar ao quartel em tempo.

Os nossos instrutores foram apresentados: Tenente Câmara, Tenente Ramacioti e o  Sargento; e conhecemos o Major comandante da Engenharia. Infelizmente não me lembro dos nomes dos dois últimos. Os alunos adotavam, como  “nome de guerra” o primeiro nome ou o sobrenome e ganhavam um número de matrícula. A partir de então, éramos, os dois, chamados Bastos e Washington, eu era o 803 e o  Sérgio tinha um número um pouco abaixo (na usual ordem alfabética de primeiro nome). De uma forma geral, o grupo viria a se dar bem com os instrutores.

De início, as aulas e apresentações trataram dos procedimentos no quartel, da hierarquia militar e, especialmente, algo de que nós não tínhamos ouvido falar, o RDE – Regulamento Disciplinar do Exército, que nos deu a informação básica de que, como militares, tínhamos de obedecer a normas específicas de comportamento e estávamos sujeitos a punições pelo descumprimento delas. As responsabilidades e atividades da arma de Engenharia foram destacadas desde o início.

O treinamento inicial básico foi a ordem unida, no grande pátio interno do quartel. Se bem me lembro, éramos cerca de 50 alunos e formávamos em três colunas, com os mais altos à frente (a testa do grupo). Sérgio e eu ficávamos no meio. O sargento comandava a marcha mediante brados convencionais, como “Ordinário, marche!!”, “Companhia, alto!”, “Direita, volver!”, “Meia-volta, volver!” e nós fazíamos os movimentos correspondentes, conforme instrução prévia. Tínhamos de agir corretamente e com presteza, pois, tratando-se de movimentos em conjunto, o erro de um indivíduo podia gerar um desastre cômico e vergonhoso na formação. Claro que os comandos “Descansar!” e “Fora de forma, marche!” eram muito apreciados. Após algum tempo, o exercício evoluiu para o comando da marcha feito pelos alunos, fazendo revezamento. Não deixava de ser divertido e eu gostava do desafio.

O pátio do quartel em foto recente
Solenidade de formatura
Devidamente treinados na ordem unida, passamos à fase de marchas pelos bairros próximos, em distâncias crescentes. De início, sem equipamento, passando depois a carregar o fuzil e uma mochila com o equipamento necessário para acampar (o que aconteceria mais tarde, durante manobras) chegando a fazer marchas longas com parada para lanche, chamado ração fria.

O fuzil, chamado mosquetão, era um Mauser, modelo antigo, de repetição, que era carregado com um pente de cinco balas; as balas eram disparadas levando-se uma a uma à câmara de disparo mediante ação de uma alavanca. Os cartuchos vazios eram ejetados do lado esquerdo da arma. Só tivemos experiência de atirar com ele nos exercícios de tiro ao alvo, que eram feitos em um stand do Exército em outro bairro da cidade. Em outras atividades usávamos o fuzil descarregado.

Nosso mosquetão era parecido com este

Pesava cerca de sete quilos. Ao desfilarmos com ele, nós o levávamos ao ombro direito; em marchas, em passo de estrada, em bandoleira, ou seja, nas costas, com a alça cruzada no peito.

A movimentação do fuzil era feita sob comandos específicos: “Ombro, armas!”; “Apresentar armas”, para atenção a oficiais e autoridades civis; “Em bandoleira, armas!”; ao comando “Descansar armas”, o fuzil era colocado ao lado da perna direita. Todos os movimentos requeridos eram preestabelecidos. Nas paradas das marchas com fuzil, ao sairmos de forma, ensarilhávamos as armas, ou seja, os fuzis eram reunidos três a três e colocados de pé com a coronha no chão, apoiando-se uns aos outros pelas extremidades dos canos.


Além das marchas e do tiro ao alvo tivemos também o treinamento de cavar trincheira em uma praça e de camuflagem em um bosque, ambos próximos ao quartel.

Achei que valia a pena contar: um dia, fomos levados a uma praça próxima ao quartel com um amplo gramado, para o exercício de cavar trincheira. Dia ensolarado, quente, recebemos picaretas e pás e revezamo-nos no trabalho de fazer uma trincheira de cerca de uns dez metros de comprimento por dois de largura e um e meio de profundidade. O terreno era duro, argiloso, requeria muito esforço nosso, mas tivemos permissão para tirar a gandola e ficar de torso nu. Depois de todo o trabalho e sua avaliação, tivemos de tapar o buraco. Não sei como foi feita a restauração da grama.

Voltamos para o quartel cantando, o que era permitido, pois tínhamos aprendido algumas canções militares, como a do Pontoneiro. Contudo, naquela volta, improvisamos com a paródia de uma marchinha de carnaval sobre o catador de papel na rua. Esta cantava:

“Que vida triste tão cruel
tem o homem que apanha papel,
sua profissão é um buraco,
só pode ir pra casa depois de encher o saco”.

Nós cantamos:

“Que vida triste tão cruel 
tem o engenheiro no quartel,
todo dia faz buraco,
só pode ir pra casa depois de encher o saco”.

Penso que estávamos sujeitos a alguma penalidade, pelo tom de queixa e uso de expressão chula (quase obscena, naquele tempo). A punição poderia ser um pernoite no quartel. Parece, entretanto, que o tenente fez que não ouviu e relevou a falta, considerando que éramos bons rapazes que, após aquele dia estafante, ainda se mostraram bem-humorados.


Na sala de aula, além das instruções gerais sobre a estrutura e a organização militar, eram tratados assuntos específicos como orientação no campo por bússola, montagem de pontes para travessia de rios, armamentos, camuflagem e comunicações. Eram aulas ilustradas com filmes do tempo da segunda guerra mundial, que precediam treinamento prático, marchas e manobras militares.

Como destaque em minha memória, as atividades principais do grupo foram o treinamento de montagem e instalação de pontes sobre o Rio Paraíba do Sul em conjunto com os alunos do segundo ano de Engenharia e as manobras de batalha em uma fazenda com a participação dos alunos das outras armas, do primeiro e do segundo ano.

O treinamento dos pontoneiros

Nosso treinamento na montagem de pontes para operações militares, especialmente para a Infantaria, foi feito no quartel de Pindamonhangaba, Estado de São Paulo, às margens do Rio Paraíba, a cerca de 160 quilômetros da capital do Estado. Viajamos de ônibus e ficamos hospedados no quartel. Durou três dias, pelo menos. Foi trabalhoso e tivemos, além dos nossos instrutores, a orientação dos alunos do segundo ano.

Montamos duas pontes, de tipos diferentes – uma mais leve, flutuante, sobre pontões (botes grandes de forte estrutura) e outra de grande porte, de estrutura modular de aço, a Ponte Bailey. Foi um trabalho pesado, que incluiu carregarmos peças de aço e permanecermos um bom tempo dentro d’água sem tirar a farda.

Foto recente: Instrução de montagem da Ponte Bailey
NPOR do 9o. Batalhão de Engenharia de combate

A hospedagem no quartel foi algo diferente para nós, especialmente para o Sérgio, que estranhava mais do que eu a comida e as acomodações. 

As manobras

O grande evento do curso, para nós, foi a participação nas manobras de batalha, realizadas pelos alunos das armas de Artilharia, Engenharia e Infantaria em uma fazenda perto de Sorocaba, cidade do Estado de São Paulo, a uns 100 quilômetros da Capital do Estado.

Recorrendo ao melhor de minha memória, junto lembranças e monto a história: primeiro, fazia frio e era o período contínuo – então, foi no mês de julho.

Fui designado para o pelotão de vanguarda, que tinha de chegar antes para levar o material e começar a preparação do acampamento. Sergio viajou depois com a tropa toda. Viajei com os companheiros na carroceria de um daqueles caminhões grandes do exército com cobertura de lona, junto com o material e ferramentas. Não foi nada confortável.

Ao chegar à fazenda, no local do acampamento, um terreno capinado cercado de árvores, montamos nossas barracas com peças de madeira, lona e corda, usando as ferramentas necessárias. E usamos pás, enxadas e cavadeiras para  fazermos valetas em volta das barracas e os “sanitários”. Foi trabalho duro.

Cada barraca se destinava a dois alunos, mediante escolha prévia. Naturalmente, Sérgio e eu compartilhamos uma delas. Dormimos no chão, forrado com uma espécie de colchonete e usando cobertores. As barracas dos oficiais eram maiores e uma delas era usada para as reuniões de instrução à tropa. À noite, usávamos lanternas elétricas. Havia um local para o “rancho” (comida) e tínhamos de obedecer aos toques de recolher e da alvorada.

Em reunião com os oficiais e os colegas do segundo ano, fomos informados sobre a batalha simulada, que era a recuperação do terreno invadido pelo exército inimigo, terreno que ficava do outro lado do rio que dividia a  fazenda. Essa recuperação seria feita pela Infantaria, com o suporte da Artilharia, mediante canhões posicionados em uma colina próxima ao acampamento.  A missão da companhia de Engenharia era transportar os soldados da Infantaria para o outro lado do rio.

No dia D, levantamos antes das seis horas (ainda estava escuro), tomamos um café bem quente em nossa caneca de alumínio, comemos um pão com manteiga e nos dirigimos à margem do Rio, para assumir a posição junto aos respectivos botes (pontões), virados de borco no terreno. Para cada bote (identificado com um número), foi designado um grupo da Engenharia com um aluno no comando e os outros como remadores. O Sérgio foi designado para outro bote. Para isso, tínhamos estado previamente no local e eu fui encarregado de um dos botes. Os canhões já estavam disparando tiros tonitruantes e havia um vento frio. Recebemos os alunos da Infantaria, designados por botes, uns oito por viagem; ao receber o comando, iniciamos a travessia. O rio não era muito largo, mas a correnteza era forte; atingimos a outra margem num ponto de acesso um tanto difícil, um barranco, de forma que os infantes tiveram de agarrar à vegetação para se alçar. Meu bote fez duas ou três viagens. Ao voltarmos, devolvemos o bote e nossa missão terminara. Soubemos depois de algumas dificuldades encontradas por outros grupos. Uma delas me contou o Sérgio: havia um forte ruído dentro de um bote (que estava de borco) e os alunos hesitaram para virar o bote. Tomaram precauções para enfrentar um bicho grande e era apenas um lagarto. 

Vencemos a batalha e os infantes preferiram voltar ao acampamento de caminhão, claro. Não me recordo de como a vitória foi comemorada e nem como voltamos para casa.

Embora uma simulação, o exercício se revestiu, nos detalhes, de realidade. Para mim, foi uma experiência inesquecível. Sua importância foi demonstrada pela visita ao local, durante a batalha, do General Henrique Duffles Teixeira Lott. Estava próximo a nós na ocasião da travessia. Pele clara, usando uniforme de campanha e capacete, parecia um general germânico. Foi Ministro da Guerra e, até, candidato à presidência da República.

No segundo semestre de 1952, após a formatura dos nossos colegas do segundo ano, tive um problema nos tornozelos – inchaço e muita dor – passei a ter dificuldade para caminhar, passei por diferentes médicos – ortopedistas e neurologistas – e fiz um tratamento com uma droga nova, a cortisona, que recebi em injeções bastante dolorosas. Não desfilei no 7 de setembro e, ao se iniciar o novo período contínuo no CPOR, em janeiro de 1953, não tinha condições de marchar e fazer outros exercícios. O capitão médico do quartel me examinou e acabou me encaminhando para exames no Quartel General do Exército de São Paulo. Embora eu preferisse apenas ter um afastamento para tratamento, fui desligado do serviço do Exército uns três meses antes da conclusão do curso. Em julho, um médico diagnosticou reumatismo, tratou-me e me recuperei.

O Sérgio completou o curso. Como eventos importantes, estagiou em um quartel no interior de São Paulo e acampou. Seu companheiro de barraca foi o colega Paulo Nogueira, grande amigo nosso, da Poli e do Colégio.

Com a formatura, o Sérgio passou à reserva como Aspirante a Oficial e comemoramos bastante.


Embora eu não tenha concluído o curso, considero a experiência no CPOR muito valiosa para minha formação – principalmente pelo trabalho em equipe, pela disciplina bem aplicada, pelo enfrentamento de dificuldades para cumprir objetivos e, afinal, pelas situações diferentes daquelas vividas até então; por exemplo, a de ter a responsabilidade de, como aluno, ser, por um dia, o oficial do dia do quartel. 

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

A. As fotos foram copiadas dos sites respectivos na internet.

B. O 9º Batalhão de Engenharia de Combate do Exército Brasileiro está sediado em Aquidauana, Mato Grosso do Sul.

C. Cara leitora ou prezado leitor: abaixo, a lista das crônicas da série:

1) D. Izaura e sua gente – Introdução

2) D. Izaura e sua gente – A casa e os moradores

3) D. Izaura e sua gente – Leilah na Galvão Bueno

4) D. Izaura e sua gente – Vovô Juca

5) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 1

6) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 2

7) D. Izaura e sua gente – O baile do Odeon

8) D. Izaura e sua gente – Lembranças do Gentil

9) D. Izaura e sua gente – Festinhas no sobrado

10) D. Izaura e sua gente – O vestibular dos rapazes

11) D. Izaura e sua gente – Os turfistas

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