Nós, brasileiros, não somos apenas torcedores de futebol. Cada vez mais, apreciamos – e, muitos, intensamente – outros esportes, especialmente aqueles em que se destacam nossos patrícios. Quanto à nossa preferência pelos esportes, minha percepção é de que o futebol permanece dominante, seguido do vôlei (de quadra e de praia) e do tênis; e de que o basquete e a fórmula 1 perderam espaço.
Para conferir, recorri ao ChatGPT e obtive vários
dados, resumidos assim:
“Olhando principalmente para os levantamentos
de 2024 a 2026, dá para perceber uma mudança interessante: o futebol continua
muito distante dos demais, mas alguns esportes estão crescendo mais
rapidamente.
Como evoluiu a preferência: Futebol, primeiro,
com enorme vantagem; Vôlei, segundo grupo de maior interesse; Fórmula 1,
terceiro, entre os mais acompanhados; Basquete, quarto, muito popular; Tênis,
quinto, ganhando espaço; MMA, sexto, com público significativo.”
Surpreendeu-me saber que a fórmula 1 e o basquete
ainda superam o tênis, mas há também a informação de que este último está
apresentando um forte crescimento de audiência e de interesse. Para as várias
razões apresentadas para este crescimento, parece-me que a mais importante é a
participação de tenistas brasileiros.
Particularmente, estou admirado com o recente
interesse de amigos meus pelas competições de surf (nas quais, aliás,
brasileiros participam e se destacam).
A necessidade de heróis do país natal, em nosso
caso, foi atendida, ao longo dos anos, por praticantes de várias modalidades.
No futebol, o atleta do século XX, Pelé, foi o maior, conhecido e famoso no
mundo todo; e, em cada copa do mundo que conquistamos, destacaram-se grandes
craques. Nos outros esportes, tivemos vários. Por exemplo (como não pretendo me
alongar, cito alguns, de memória): no basquete, Oscar Schmidt; no box, Eder
Jofre; no vôlei, a equipe que recebeu a medalha de ouro na olímpiada de
Barcelona, em 1992; no automobilismo, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e
Ayrton Senna; no tênis, a lendária Maria Esther Bueno e, mais recentemente, o
queridinho dos espectadores, o Guga (aliás Gustavo Kuerten).
Esta é, provavelmente, a razão principal de
estarmos nos interessando por “novos” esportes, pois torcemos entusiasticamente
pelos praticantes brasileiros. A mídia esportiva colabora, pois ganha
audiência, e aparecem sempre jovens promissores.
Em particular, Leilah,
minha esposa, e eu estamos acompanhando o tênis já há alguns anos, assistindo a
partidas dos principais torneios da ATP (pela televisão, claro; não dá para os
velhinhos viajarem para a Austrália, Indian Wells, Miami, Roma, Madri, Paris,
Londres, Montreal, Cincinatti e Nova York; nem que estivessem nadando em
dinheiro).
Já temos, portanto,
devido ao bom trabalho dos narradores e comentaristas, algum conhecimento das
regras, das jogadas, familiarizando-nos com expressões como “ace”, “erro não
forçado”, “winner”, “lobby”, “tie break”, “back hand”, “paralela”,
“saque-voleio” e outras. Conhecemos os jogadores mais destacados, cujo
desempenho apreciamos muito, simpatizando mais com uns do que com outros.
Acompanhamos, por anos, Nadal, Federer e Djokovic, sentindo agora a ausência
dos dois primeiros nas quadras e admirando muito a persistência do terceiro, em
idade avançada para a prática do esporte no alto nível das competições, mas
mostrando ainda sua técnica primorosa. E, mais recentemente, assistimos aos jogos dos novos astros, como o incrível Jannik Sinner
e o brilhante Carlos Alcaraz (que sucede ao Guga como o queridinho das
torcidas), que nos vêm brindando com atuações espetaculares. E mais jovens estão
chegando ao topo do ranking.
Ao caro leitor ou
prezada leitora poderá surpreender estar o velho torcedor de futebol “falando”
sobre tênis. Pois é; embora dois de meus filhos pratiquem tênis no nível de
lazer, eu nunca tentei praticar esse esporte. O que me estimulou a escrever esta
crônica foi o desejo de comentar um caso recente.
Como contei em
crônicas anteriores, participo de um grupo de amigos, ex-colegas de trabalho na
IBM, veteranos. Além de nos encontrarmos em almoços, participamos de um animado
grupo do WhatsApp.
Algum tempo atrás
(dois anos, talvez), um dos amigos nos comunicou que não poderia comparecer ao
almoço agendado porque ia a Nova York, com um grupo, “para acompanhar o João,
que vai estrear no US Open”. Perguntei a ele: “Quem é o João?”. Respondeu algo
assim: “É um rapaz muito amigo de meu neto que está jogando tênis muito bem”.
Foi assim que tomei
conhecimento da existência de uma revelação do tênis brasileiro, agora
competindo com a nata do tênis internacional, participando muito bem das
competições mais importantes. João Fonseca, bem jovem, já conquistou o público
por seu jogo, vencendo alguns adversários muito bem classificados no ranking (neste
mês, em Montreal, derrotou Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud) e está dando muito
trabalho aos grandes nomes do topo do
ranking. Já alcançou um alto patamar.
Espero que ele continue no caminho do sucesso, permanecendo entre os melhores do esporte que, por ser individual e exigir força, movimentação muito rápida e grande habilidade com a raquete e a bolinha, requer o máximo de preparo físico e de força mental.
Washington Luiz
Bastos Conceição
Notas:
1) ATP significa “Association of Tennis
Professionals”.
2) MMA significa “Mixed Martial Arts”. Compreende
vários estilos de luta.
3) Na consulta ao ChatGPT, perguntei: Trata-se de
espectadores de televisão ou de estádios?
Resposta:
Trata-se principalmente de pessoas que acompanham ou assistem aos esportes, e
não de pessoas que vão aos estádios.
Ou
seja, os números que citei são sobre audiência/interesse do público, incluindo
televisão e, cada vez mais, streaming e internet. Eles não representam a
frequência aos estádios ou ginásios.