sábado, 22 de agosto de 2026

Os brasileiros e os esportes – o tênis e o João

Nós, brasileiros, não somos apenas torcedores de futebol. Cada vez mais, apreciamos – e, muitos, intensamente – outros esportes, especialmente aqueles em que se destacam nossos patrícios. Quanto à nossa preferência pelos esportes, minha percepção é de que o futebol permanece dominante, seguido do vôlei (de quadra e de praia) e do tênis; e de que o basquete e a fórmula 1 perderam espaço.

Para conferir, recorri ao ChatGPT e obtive vários dados, resumidos assim:

Olhando principalmente para os levantamentos de 2024 a 2026, dá para perceber uma mudança interessante: o futebol continua muito distante dos demais, mas alguns esportes estão crescendo mais rapidamente.

Como evoluiu a preferência: Futebol, primeiro, com enorme vantagem; Vôlei, segundo grupo de maior interesse; Fórmula 1, terceiro, entre os mais acompanhados; Basquete, quarto, muito popular; Tênis, quinto, ganhando espaço; MMA, sexto, com público significativo.”

Surpreendeu-me saber que a fórmula 1 e o basquete ainda superam o tênis, mas há também a informação de que este último está apresentando um forte crescimento de audiência e de interesse. Para as várias razões apresentadas para este crescimento, parece-me que a mais importante é a participação de tenistas brasileiros.

Particularmente, estou admirado com o recente interesse de amigos meus pelas competições de surf (nas quais, aliás, brasileiros participam e se destacam).


A necessidade de heróis do país natal, em nosso caso, foi atendida, ao longo dos anos, por praticantes de várias modalidades. No futebol, o atleta do século XX, Pelé, foi o maior, conhecido e famoso no mundo todo; e, em cada copa do mundo que conquistamos, destacaram-se grandes craques. Nos outros esportes, tivemos vários. Por exemplo (como não pretendo me alongar, cito alguns, de memória): no basquete, Oscar Schmidt; no box, Eder Jofre; no vôlei, a equipe que recebeu a medalha de ouro na olímpiada de Barcelona, em 1992; no automobilismo, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna; no tênis, a lendária Maria Esther Bueno e, mais recentemente, o queridinho dos espectadores, o Guga (aliás Gustavo Kuerten).

Esta é, provavelmente, a razão principal de estarmos nos interessando por “novos” esportes, pois torcemos entusiasticamente pelos praticantes brasileiros. A mídia esportiva colabora, pois ganha audiência, e aparecem sempre jovens promissores.


Em particular, Leilah, minha esposa, e eu estamos acompanhando o tênis já há alguns anos, assistindo a partidas dos principais torneios da ATP (pela televisão, claro; não dá para os velhinhos viajarem para a Austrália, Indian Wells, Miami, Roma, Madri, Paris, Londres, Montreal, Cincinatti e Nova York; nem que estivessem nadando em dinheiro).

Já temos, portanto, devido ao bom trabalho dos narradores e comentaristas, algum conhecimento das regras, das jogadas, familiarizando-nos com expressões como “ace”, “erro não forçado”, “winner”, “lobby”, “tie break”, “back hand”, “paralela”, “saque-voleio” e outras. Conhecemos os jogadores mais destacados, cujo desempenho apreciamos muito, simpatizando mais com uns do que com outros. Acompanhamos, por anos, Nadal, Federer e Djokovic, sentindo agora a ausência dos dois primeiros nas quadras e admirando muito a persistência do terceiro, em idade avançada para a prática do esporte no alto nível das competições, mas mostrando ainda sua técnica primorosa. E, mais recentemente, assistimos aos jogos dos novos astros, como o incrível Jannik Sinner e o brilhante Carlos Alcaraz (que sucede ao Guga como o queridinho das torcidas), que nos vêm brindando com atuações espetaculares. E mais jovens estão chegando ao topo do ranking.


Ao caro leitor ou prezada leitora poderá surpreender estar o velho torcedor de futebol “falando” sobre tênis. Pois é; embora dois de meus filhos pratiquem tênis no nível de lazer, eu nunca tentei praticar esse esporte. O que me estimulou a escrever esta crônica foi o desejo de comentar um caso recente.

Como contei em crônicas anteriores, participo de um grupo de amigos, ex-colegas de trabalho na IBM, veteranos. Além de nos encontrarmos em almoços, participamos de um animado grupo do WhatsApp.

Algum tempo atrás (dois anos, talvez), um dos amigos nos comunicou que não poderia comparecer ao almoço agendado porque ia a Nova York, com um grupo, “para acompanhar o João, que vai estrear no US Open”. Perguntei a ele: “Quem é o João?”. Respondeu algo assim: “É um rapaz muito amigo de meu neto que está jogando tênis muito bem”.

Foi assim que tomei conhecimento da existência de uma revelação do tênis brasileiro, agora competindo com a nata do tênis internacional, participando muito bem das competições mais importantes. João Fonseca, bem jovem, já conquistou o público por seu jogo, vencendo alguns adversários muito bem classificados no ranking (neste mês, em Montreal, derrotou Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud) e está dando muito trabalho aos grandes  nomes do topo do ranking. Já alcançou um alto patamar.

Espero que ele continue no caminho do sucesso, permanecendo entre os melhores do esporte que, por ser individual e exigir força, movimentação muito rápida e grande habilidade com a raquete e a bolinha, requer o máximo de preparo físico e de força mental.

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

1)  ATP significa “Association of Tennis Professionals”.

2)  MMA significa “Mixed Martial Arts”. Compreende vários estilos de luta.

3) Na consulta ao ChatGPT, perguntei: Trata-se de espectadores de televisão ou de estádios?

Resposta: Trata-se principalmente de pessoas que acompanham ou assistem aos esportes, e não de pessoas que vão aos estádios.

Ou seja, os números que citei são sobre audiência/interesse do público, incluindo televisão e, cada vez mais, streaming e internet. Eles não representam a frequência aos estádios ou ginásios.