sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

D. Izaura e sua gente – O adeus da matriarca

Cara leitora ou prezado leitor:

Esta é a décima-quarta crônica da série, na qual finalizo as histórias que eu tinha para contar sobre D. Izaura e sua gente..

Observação: Para conhecimento ou rememoração do leitor quanto às pessoas da família, mencionadas no texto, apresento novamente o diagrama genealógico de Izaura e Juca.



A mudança

Os  filhos  de D. Izaura  deixaram  o sobrado  aos poucos,  mudando-se  para  as respectivas casas  próprias.  Ao longo das crônicas anteriores, já mencionamos a saída de Cida e Francisco e do Doutor e Nazaré. Gentil e Fernanda, ao se casarem, foram  morar  no  bairro  Vila Nova Conceição  e  Yolanda,  Dr. Lauro e  Sérgio se mudaram para uma bela casa no bairro do Pacaembu (a sudoeste da rua Traipu, próxima ao bairro do Sumaré), construída pelo Sérgio. Helena, Narciso e Marilena se  mudaram  de   Bragança para  São Paulo,  mas  não  foram morar no sobrado; compraram um apartamento na Rua Conselheiro Brotero, no bairro de Santa Cecília. D. Glória e Lúcio permaneceram em seu pequeno sobrado e Armando, separado da esposa, voltou a morar na Galvão Bueno.

Assim, o “casarão”, como diz o Antônio Augusto, ficou superdimensionado para cinco pessoas (Olga, Vianna, Antônio, D. Izaura e Armando) e já requeria reforma. Os Vianna compraram uma boa casa no bairro da Aclimação e D. Izaura e  Armando foram morar com eles. Antônio Augusto conta assim:

“Nós  nos  mudamos  da  rua Galvão Bueno  em 63 ou 64.  Éramos meus pais, eu, minha  avó  e  o  Armando.  Fomos  para  a  Aclimação,  para uma rua residencial tranquila.  A  casa  era um s obrado que tinha pouca frente mas uns 40 metros de fundo, com salas e três dormitórios, mais as acomodações habituais. Lembro-me de que chovia muito no dia da mudança.”

D. Izaura passou a ter uma vida calma em que recebia visitas dos filhos e netos e se relacionava com os vizinhos.

Ciumara, irmã da Leilah, se recorda dessas visitas:

“Eu me lembro de que havia um rodízio das filhas para passar as tardes com a Vó Izaura na Aclimação. Mamãe (D. Cida) lia para ela uma novela que foi famosa na época.”

A então pequena Lígia, bisneta, filha da Marilena, hoje se recorda:

“Lembro da minha avó (D. Helena) saindo para a Aclimação, no “dia dela” de ficar com a mãe..."

Leilah visitava D. Izaura com a mãe e eu me lembro de ter ido à Aclimação algumas vezes. Leilah comenta:

"O dia que a minha mãe (D. Cida) ia visitar a vovó era sexta feira; visita sagrada, ela não deixava de ir. Era longe de casa, mas havia um ônibus elétrico que saia do Pacaembu e ia até a Aclimação. Quando podia, eu a levava; conversávamos e minha mãe fazia as unhas da vovó. Na hora que a gente ia embora, ela sempre mandava frutas, biscoitos, ou algum outro agrado para os meus meninos, que eram crianças naquela época. Ela sempre tinha, assim, uma atenção especial. Além disso, minha mãe também era encarregada de levar a vovó a consultas médicas; algumas vezes,  eu as levava aos consultórios, dirigindo."

A interação do grupo se manteve

Nesta fase, a gente de D. Izaura passou a se reunir, habitualmente, nas respectivas casas, especialmente para  comemorações de datas de adultos e crianças.

Depois de nós, Leilah e eu, casaram-se Sérgio com Regina, Marilena com Samuel e Ciumara com Cláudio. Os casamentos desses netos deram a D. Izaura os bisnetos: Luiz, Cássio, Francisco e Jurema, filhos da Leilah; Lauro e Bali (Maria Inês), do Sérgio; Lígia e Alexandre, da Marilena;  Marcos e Paula, da Ciumara. Com a separação de Armando e Terezinha, perdi o contato com seus filhos, Sandra e  Ricardo. Tenho a informação de que Sandra teve dois filhos e Ricardo, um.

Além dos encontros em São Paulo, a gente de D. Izaura fazia, também, programas de fins de semana, feriados  ou férias. Um grupo, liderado pelo Narciso e Helena, se reunia em uma casa de praia na Vila Mirim, um bairro da Praia Grande (ao sul de Santos), então em fase de crescimento. Era um lugar simples mas eles aproveitaram muito bem. Outros passaram a frequentar o Guarujá, onde Sérgio e Regina tinham um belo apartamento e o Antônio Augusto se animou e também adquiriu um. Leilah, eu e nossos filhos, na década de 60, também lá estivemos várias vezes em tempo de férias, alugando apartamentos.

Após nossa temporada nos Estados Unidos e a mudança para o Rio de Janeiro, encontrávamos o pessoal quando íamos a São Paulo.

Um evento, inusitado e marcante, foi a excursão que a turma fez para o Rio de Janeiro, em um fim de semana, para a comemoração de meus 45 anos, em 1977. Organizaram um grupo de que participaram, além da família propriamente dita, meus pais e o casal Antonieta e Hering. Hospedaram-se em um bom hotel. Leilah e D. Cida organizaram a festa lá em casa, em que houve até dança. Tivemos, também, um bom programa de praia em Ipanema, divertido, favorecido por um dia de tempo ótimo.


No início da década de 70, a matriarca estava bem idosa; veio a falecer em maio de 1971. Antônio Augusto conta:

“Vovó ficava num pequeno terraço na frente da casa e fez amizade com os moradores da casa do outro lado da rua. Eram a dona Dora, o marido, os pais dela e um irmão.  Boa gente ... Vovó já estava com idade avançada e, apesar dos cuidados do tio Zeca, acabou morrendo em sua cama, tendo como causa a famosa falência múltipla de órgãos.”

Ela se foi, deixando para sua descendência, que hoje chega a trinetos, o legado precioso de sua força.


Uma fotografia que guardo com carinho, respeito e gratidão é do bota-fora nosso (de Leilah, eu e os meninos) quando, em maio de 1968, embarcamos para nossa temporada em Chicago. Junto aos parentes e amigos, lá estava D, Izaura, firme aos 84 anos e meio, no aeroporto de Congonhas, para nos desejar boa viagem e sucesso na aventura.



D. Izaura ficou na lembrança da família e de todos que a conheceram como uma mulher forte. Repito, enfaticamente, minha declaração feita no início da série:

Entre as mulheres mais marcantes que encontrei na vida, destaca-se D. Izaura de Carvalho Corrêa.

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

A. Na foto do bota-fora estão parentes e amigos. Destacando-se, da esquerda para a direita, Gentil, D. Regina (mãe da Regina), Doutor, Marilena, D. Izaura, Olga, Kato (de óculos, meu compadre e grande amigo) Nair (tia da Leilah), Leilah, Washington, Osmar (meu pai), Vianna, Jaíra (minha prima) e Sérgio. Várias outras pessoas que compareceram não estão nessa foto, como minha mãe, D. Cida, Seu Chico, Ciumara e Antônio Augusto.

B. Cara leitora ou prezado leitor: abaixo, a lista das crônicas anteriores da série e respectivos links:

1) D. Izaura e sua gente – Introdução

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/02/d-izaura-e-sua-gente-introducao.html

2) D. Izaura e sua gente – A casa e os moradores

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/03/d-izaura-e-sua-gente-casa-e-os-moradores.html

3) D. Izaura e sua gente – Leilah na Galvão Bueno

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/04/d-izaura-e-sua-gente-leilah-na-galvao.html

4) D. Izaura e sua gente – Vovô Juca

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/05/d-izaura-e-sua-gente-vovo-juca.html

5) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 1

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/06/d-izaura-e-sua-gente-as-pessoas-1.html

6) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 2

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-apresentando-as.html

7) D. Izaura e sua gente – O baile do Odeon

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/07/d-izaura-e-sua-gente-o-baile-do-odeon.html

8) D. Izaura e sua gente – Lembranças do Gentil

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/08/d-izaura-e-sua-gente-lembrancas-do.html

9) D. Izaura e sua gente – Festinhas no sobrado

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-festinhas-no.html

10) D. Izaura e sua gente – O vestibular dos rapazes

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/09/d-izaura-e-sua-gente-o-vestibular-dos.html

11) D. Izaura e sua gente – Os turfistas

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2025/11/d-izaura-e-sua-gente-os-turfistas.html

12) D. Izaura e sua gente – Os politécnicos vestem verde-oliva

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2026/01/d-izaura-e-sua-gente-os-politecnicos.html

13) D. Izaura e sua gente – As reuniões no Pacaembu

https://washingtonconceicao.blogspot.com/2026/01/d-izaura-e-sua-gente-as-reunioes-no.html?m=1

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3 comentários:

  1. Pena que já acabou, Washington. Merece virar um livro.

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  2. Antonio Augusto Corrêa Vianna21 de fevereiro de 2026 às 02:37

    Parabéns. Deu trabalho mas valeu a pena.

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  3. Uma linda homenagem a uma mulher tão marcante.

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