sábado, 30 de julho de 2016

Um vizinho ilustre e seu novo livro

Monique, nossa vizinha no Meia Lua, edifício em que moro há 46 anos e meio, nos convidou (Leilah, minha esposa, e eu) para o lançamento do livro de seu marido, Fernando, que seria feito na segunda-feira seguinte, na livraria Argumento, no Leblon. Pudemos comparecer e foi, realmente, um evento muito bom. A livraria estava cheia, movimentada. Os idosos eram maioria, pois o autor acabava de completar 90 anos. Dentre os presentes, Leilah e eu só conhecíamos pessoalmente o casal. Conseguiram uma cadeira para Leilah se acomodar e eu fui para a fila. Muito dos presentes aproveitavam a lentidão da longa fila para conversar, aparentando ser conhecidos de longa data. Eram reencontros, os assuntos variavam; percebi que alguns tratavam de política em tempos passados, outros se referiam a pessoas conhecidas. Acabei batendo um papo com um senhor que estava na minha frente, muito mais moço do que eu, mas já de meia idade. Ao longo da conversa, fiquei sabendo que é médico. Era abril deste ano, portanto a situação política e econômica do País era um assunto obrigatório, tratado com muita cautela, pois desconhecíamos a posição um do outro, mas senti que nossa visão era semelhante. Ele foi cumprimentado por vários outros convidados, que acabaram falando comigo. Um deles foi Roberto D’Avila, que eu vejo muito na televisão. Os drinques e petiscos animavam as conversas. Afinal, cheguei à pequena mesa em que estava o autor, obtive seu autógrafo no livro que comprara e tivemos uma rápida e simpática troca de palavras. Logo depois chegava o Sr. Francisco Dornelles, já Governador em exercício do estado do Rio de Janeiro. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso era também esperado. Durante todo o tempo, Monique circulava entre os presentes e uma senhora, aparentemente a diretora da editora, estava coordenando o evento.
Quando Leilah e eu voltamos para casa, a reunião continuava bem animada.

Fernando Pedreira, na década de 1950, era, para mim, o articulista político por excelência, que escrevia no “O Estado de São Paulo”. Solteiro, eu morava com meus pais e o jornal que líamos era o “Estadão”. No começo dessa década, eu cursei Engenharia e, uns anos depois, Leilah cursou Arquitetura. Em 1959, nos casamos.
Quando estudante de Arquitetura, Leilah foi aluna de Renina Katz, professora de artes plásticas, com a qual se deu muito bem. Chegou a ir uma vez à casa dela para finalizar um projeto. Nessa época, Renina era casada com Fernando Pedreira, mas não tivemos contato com ele. Depois de formada, Leilah perdeu o contato com a Renina, mas continuamos assíduos leitores dos artigos do Pedreira.
Anos se passaram.
Na década de 1960 até 1968, ainda morando em São Paulo, Leilah trabalhou em projetos de Arquitetura, principalmente na área de paisagismo, e eu continuei minha carreira na IBM. Em 1968, um projeto internacional da empresa nos levou a Chicago. Na volta ao Brasil, em fins de 1969, fui transferido para o Rio de Janeiro e a família se mudou em janeiro de 1970. Instalamo-nos no Leblon, no Meia Lua, edifício constituído de três blocos contíguos, com dezessete andares e dois apartamentos por andar.
Desde então, tivemos vários vizinhos de porta; durante algum tempo, o casal Monique e Fernando. Cumprimentávamo-nos cordialmente, mas não chegamos a ter aproximação com eles, pois Leilah e eu, trabalhando fora de casa e criando quatro filhos, tínhamos um programa de vida diferente do deles, que não tinham filhos; e as respectivas rodas de amigos eram diferentes. Os nossos eram principalmente colegas de trabalho, alguns parentes e suas famílias. Os deles (fiquei sabendo agora, ao ler o livro do Fernando) eram seus companheiros de jornalismo e de política, gente famosa. O casal deixou o prédio, esteve uma boa temporada na Europa e, ao voltar ao Rio, veio morar novamente no Meia Lua. Desta vez, em outro bloco e, mais recentemente, voltou ao nosso, em outro andar. Vemo-nos com frequência no prédio, principalmente a Monique. Curioso é que, apesar de todo esse tempo de vizinhança, Fernando e eu nunca chegamos a conversar. Só troquei algumas palavras com ele no dia do lançamento do livro.

O novo livro de Fernando Pedreira, lançado em 30 de março último, tem como título “Entre a Lagoa e o Mar” e subtítulo “Reminiscências”.
Gostamos muito do livro, Leilah e eu. No dia seguinte ao lançamento, ela se apossou dele e leu em primeiro lugar – e, ainda, o releu em parte, assinalando frases e passagens que a impressionaram mais, especialmente aquelas em que o autor menciona fatos ocorridos em São Paulo e as ruas e bairros que conhecemos muito bem. Tive de esperar a minha vez para ler.
Em suas 409 páginas de tamanho 15cm por 23cm, Pedreira narra, de forma ágil e atraente, as lembranças de uma vida movimentada, longa, bem vivida, descrevendo pessoas, lugares e ambientes. Acrescenta comentários à narração e chega até a filosofar de vez em quando.
Livros de memórias não deixam de ser livros de histórias, de histórias reais que, na sua ambientação, trazem também muito da História da época em que ocorrem. Particularmente, me agradam muito. Mas Pedreira acrescenta um tempero especial à narração: não a faz linear no tempo, embora tenha uma cronologia básica; suas idas e vindas desafiam o leitor, adianta fatos e diz que tratará deles mais tarde, retrocede a outros narrados anteriormente e comenta que já os mencionou; conta suas peripécias da infância e juventude de uma forma aberta e fatos ocorridos com seus amigos e conhecidos com total liberdade e franqueza. E, destaque-se, seus amigos são pessoas notáveis, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, que leu o livro antes de sua publicação e fez seu prefácio mediante uma carta muito simpática dirigida ao seu xará. Leilah comenta, ainda, que Pedreira descreve bem os locais visitados em suas viagens e conta passagens muito interessantes de seus amigos e conhecidos famosos, das quais não tínhamos conhecimento.
Desfrutei as histórias e, ao mesmo tempo, observei a técnica adotada pelo autor, que tornou o livro um “pageturner”, pois prende o leitor de forma a fazer difícil a interrupção de sua leitura. Seu texto, em Português perfeito, é de fácil leitura, não precisei recorrer ao dicionário. Dois detalhes me chamaram a atenção: páginas inteiras sem parágrafo (lembrando Saramago) e o uso frequente do ponto e vírgula, que aprecio como leitor e gosto de usar em meus escritos.
Enfim, uma leitura muito agradável que ainda nos proporcionou, à Leilah e a mim, recordações de fatos vividos e a ilustração de algumas passagens históricas.
No final do livro, a surpresa do registro: “Fim do primeiro volume destas reminiscências – 2015”.
Aguardemos o segundo volume.


Washington Luiz Bastos Conceição

sábado, 9 de julho de 2016

Notícias - Julho de 2016


Cara leitora ou prezado leitor:

Venho fazer alguns comentários sobre minhas publicações.

Este blog continua com uma visitação muito regular, que atribuo aos amigos e mais alguns curiosos. Os robôs se manifestam de vez em quando. Por exemplo, houve uma quantidade excepcional de acessos originados nos Estados Unidos no último dia 4, o “Independence Day” daquele país. E o blog continua registrando visitas de diversos países onde, que eu saiba, não tenho conhecidos.
Noto que meu habitual anúncio das publicações por e-mail e, agora, também pelo Facebook, está funcionando como lembrete aos amigos e provoca visitas imediatas.
Continuo satisfeito com esta minha atividade e com os “feedbacks” que recebo.
Obrigado.

·      Quanto à publicação de meus livros, tenho aumentado gradativamente sua lista. Este ano, lancei o “Uma vez por ano”, que reúne as crônicas publicadas no blog de agosto de 2014 a dezembro de 2015.
Neste mês, estou preparando uma edição ampliada do “Para você se animar a escrever seu livro” na qual acrescento ao texto da primeira edição a descrição de meu trabalho no blog e na publicação de e-books e de livros para a impressão por encomenda (“on demand”). Mantendo o objetivo descrito na primeira edição, incluo informações úteis aos leitores interessados em escrever e publicar seus escritos.

·     A amazon.com.br passou a oferecer livros impressos “on demand” ao mercado brasileiro. Com a alta da taxa do dólar, os livros resultam caros, particularmente aqueles com ilustrações coloridas (o meu “A Califórnia e Nós”, a cores, por exemplo, está anunciado com um preço desproporcionalmente elevado).
Como a impressão em pequena tiragem por gráficas locais também é cara e o investimento resulta em prejuízo para o autor independente, continuarei recorrendo à solução “on demand”, porém em preto e branco.
Informações sobre meus livros estão disponíveis na internet, principalmente mediante acesso aos sites amazon.com.br, amazon.com e vececom.com (link nesta página em "Livraria Virtual"). São eles:
“Histórias do Terceiro Tempo”
“Para você se animar e escrever seu livro”
“O Projeto 3.7 e Nós”
"The Project 3.7 and Us"
“Três Contos” (um pequeno livro, meu ensaio na ficção)
“A Califórnia e Nós”
“Crônicas Selecionadas 2012 – 2013”
“O Meia Lua” (crônicas de 2013 e 2014)
“Uma vez por ano” (crônicas de 2014 e 2015).

Reitero meus agradecimentos a você, por sua atenção.


Washington Luiz Bastos Conceição