sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Carta aos Leitores

É lugar-comum a queixa de que o tempo está passando muito depressa. Até alguns anos atrás eu achava que esse comentário era coisa de idoso, de quem não tinha muito assunto para conversar, mas agora me parece que todos se admiram com a velocidade com que avança o calendário.
Incluo-me no “todos” e tenho como um dos principais indicadores a rapidez com que acaba a caixa dos comprimidos que tomo diariamente para controlar a pressão. Tenho de prestar atenção para não ficar sem o remédio, com o qual não posso falhar.

Pois é, meus caros leitores, chegamos muito rapidamente ao final de 2016. Aqueles que me acompanharam mais de perto (alguns amigos, que não costumam enviar comentários dizem, quando me encontram, que leem todas as minhas crônicas do blog) devem ter notado que este ano escrevi menos.
Como escritor independente e “blogueiro”, analisei minhas atividades deste ano e constatei que, por várias razões, fui menos produtivo em 2016 do que nos anos anteriores, desde que comecei a escrever. Uma dessas razões foi a dificuldade que tive de selecionar, para as crônicas, assuntos que pudessem interessar aos leitores, frente ao noticiário intenso - e renovado diariamente – das tristezas no País e no exterior. Como permaneço fiel à prática de evitar polêmicas com amigos que tenham ideias políticas opostas às minhas, essa dificuldade foi muito grande. Outra razão é não ter planejado, ainda, após a publicação do “A Califórnia e Nós”, um novo livro.

Quanto aos livros, apresento um resumo do que fiz este ano:
Primeiro, publiquei uma edição ampliada do “Para você se animar a escrever seu livro”, na qual acrescento à primeira edição o relato de minha experiência em publicar e-books, livros impressos fornecidos “on demand” (sob encomenda) e crônicas em meu blog.
Depois, considerando que os livros impressos em cores ficam muito caros, decidi publicá-los com as ilustrações em branco e preto. Iniciei com o “Nós e a Califórnia”, versão em branco e preto do “A Califórnia e Nós”. Com os e-books não tenho essa necessidade.
E mais, esgotada a primeira tiragem do “O Histórias do Terceiro Tempo”, meu primeiro livro, publiquei nova edição impressa (“on demand”).
Finalmente, participei, como um dos autores, da antologia “Mais do que Palavras”, publicada em dezembro pela Editora Scortecci (esta edita, imprime e comercializa livros em pequenas tiragens). É uma experiência interessante ver-se acompanhado por escritores de formação e interesses variados. Minha contribuição foi o conto “O Irmão do Vitório”, publicado anteriormente no e-book “Três Contos”.

Quanto a meus planos para 2017:
1)  continuarei com as crônicas, prometendo procurar mais assuntos que possam interessar aos meus magnânimos leitores.
2)  trabalharei para escrever um novo livro, que conterá histórias reais, as quais, em grande parte, poderiam ser ficção.

A você, prezada leitora ou caro leitor, que me honra com suas visitas ao blog e com seus comentários, reitero meus votos de um Feliz Ano Novo.

Washington Luiz Bastos Conceição


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que é que há?

Nestes tempos em que a comunicação, escrita e falada, vem se tornando cada vez mais intensa, a importância dos idiomas é cada vez maior. No Brasil, como estamos usando nosso idioma?
De uma forma geral, para escrever, usamos o Português procurando seguir as regras gramaticais e ortográficas.
Para falar usamos o Português coloquial, ou seja, procuramos falar o mais corretamente possível, mas, por hábito, empregamos expressões que, embora incorretas, são de uso geral e corrente. Por exemplo, no dia a dia, empregamos: o verbo “ter” em vez de “haver” (“Tem louça na máquina?); não respeitamos concordâncias (“Você veio no teu carro?”); e muitos ainda cometem erros daqueles bem conhecidos (“haverão” no sentido de existirão, “fui na casa dele”, e outros). Usamos esse mesmo Português coloquial ao trocarmos mensagens por telefone celular, “tablet”, ou computador, recorrendo intensamente a abreviações.
Há, ainda, aquelas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, muitas analfabetas ou quase, que erram muito ao falar, ofendendo grosseiramente a gramática elementar e, faltando-lhes vocabulário, recorrem à gíria (sempre renovada) e ao jargão de suas atividades específicas.
Meus parentes e amigos, bem como os meus outros leitores mais antigos, já sabem de minha preocupação com o Português. Hoje, volto com mais considerações sobre o assunto porque, mesmo aturdido pelo horrível noticiário da televisão nestes dias tão agitados, não consigo deixar de reparar em algumas impropriedades na linguagem utilizada repetidamente pelos repórteres e comentaristas, jornalistas competentes em seu trabalho, que se expressam muito bem e têm bom vocabulário. Penso, então, que estamos em crise também no uso do Português.

Sou do tempo em que se estudava Latim no Ginásio (curso secundário correspondente ao atual segundo ciclo do ensino fundamental), que cursávamos dos 11 aos 14 anos. O Latim era ensinado, diziam, porque, sendo o idioma de que se originou o Português, servia de base para o aprendizado deste. Mais para diante, na Universidade, era aplicado principalmente em Direito. Aprendi que em Roma os nobres usavam o Latim Clássico e a plebe o Latim Vulgar e, agora, concluí “brilhantemente” que vivemos uma situação parecida, porém em três níveis.
Resolvi pesquisar um pouco e encontrei um trabalho muito interessante que me trouxe esclarecimentos e, em meio a uma extensa matéria, mostrou que nossa situação é muito semelhante à dos romanos.
Nesse trabalho, de Maria Cristina Martins, a autora apresenta uma síntese da história da língua latina, e faz considerações sobre o Latim Clássico, o Latim Culto Falado e o Latim Vulgar, assim definidos por ela:
“O Latim Clássico era a norma literária, altamente estilizada, usada no período que vai de 81 A.C. a 14 D.C. ... O Latim Culto Falado era o “sermo (linguagem) urbanus”, a língua falada pelas classes altas de Roma ... O Latim Vulgar era o latim essencialmente falado pela grande massa popular menos favorecida do Império Romano, quase que inteiramente analfabeta.”
Mais adiante, ela faz a comparação que eu estava buscando:
“Para tornar a comparação entre o latim vulgar e o latim culto – ou até mesmo o literário – mais próxima à nossa realidade, podemos pensar no Português falado pelas populações de um âmbito social limitado do ponto de vista de escolarização... A mesma impressão que temos ao ouvir um Português cheio de “erros” em comparação com a norma culta, teria um romano escolarizado ouvindo o latim vulgar, acostumado a uma língua ricamente flexionada e elegante.”

Vesti a carapuça. Reconheço, aqui, que estou fazendo o papel do brasileiro escolarizado, com a melhor das intenções, altamente preocupado com os comunicadores que falam em público, especialmente na televisão, que poderiam cuidar de passar um “sermo urbanus” de melhor qualidade ao espectador. Na televisão, já corrigiram o “Boa noite a todos que estão nos assistindo!”, passando simplesmente a dizer “Boa noite a todos!”, mas, por exemplo, poderiam passar a usar: “O que está acontecendo?” em vez de “O que é que está acontecendo?”; “onde está” em vez de “aonde está”; “quando se tornou” em vez de “quando tornou-se”; “prefiro este àquele” em vez de “prefiro este do que aquele”.
Destaco aqui a televisão porque, além de realizar papel importantíssimo na unificação do uso do idioma em todo o País, poderá contribuir mais para o aprimoramento desse uso, independentemente de programas educacionais específicos.

O caro leitor ou a prezada leitora poderá reclamar: “Washington, não dá para falar tudo certinho o tempo todo, ficaria até chato!” Concordo, devemos nos esforçar para falar melhor usando o bom senso, ou seja, comunicando-nos da forma mais apropriada a cada ambiente e situação. Por exemplo, “O que é que há?” é perfeitamente adequado a uma comunicação informal. D. Ivone Lara usou essa expressão muito bem e podemos cantar com ela: “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há...”.
Ou seja, tudo tem seu lugar e sua hora.

Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

1) O trabalho de Maria Cristina Martins (UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul) tem por título: “A LÍNGUA LATINA: SUA ORIGEM, VARIEDADES E DESDOBRAMENTOS” e pode ser acessado pelo link:

2) Eu pretendia publicar esta crônica antes. Porém, os acontecimentos da última semana (tristeza pelo terrível acidente aéreo na Colômbia e indignação pelas manobras indecentes dos políticos) me fizeram adiar a publicação. A razão deste meu cuidado? Pareceu-me que o assunto desta não seria, então, oportuno. Hoje, contei com a magnanimidade de meus caros leitores e agradeço a você pela atenção.

sábado, 19 de novembro de 2016

Por que escolheram Dylan?

O Prêmio Nobel de Literatura deste ano, outorgado ao Bob Dylan, causou celeuma, foi intensamente comentado nos jornais, revistas e televisão. Vários articulistas se manifestaram, todos mostrando surpresa; alguns concordando com a decisão dos juízes de considerar poesia as letras de música, outros discordando. Mencionaram escritores que, na opinião de cada um, realizaram obras mais meritórias do que a de Dylan e lembraram, para comparação, escritores que, no passado, embora merecedores, não receberam o prêmio.
Um deles imaginou o diálogo dos juízes na reunião em que decidiram sobre a outorga do prêmio, sugerindo que a decisão foi tomada principalmente para chamar a atenção mundial para o prêmio, ou seja, sua motivação principal foi simplesmente o marketing do Nobel. Não concordei com a ideia, pois entendo que o prêmio já tem divulgação e comentários suficientes, em âmbito mundial, e não requer recursos de marketing dessa natureza.
Discordei de outro dos articulistas quando afirmou que a poesia é escrita para se ler só e em silêncio. Para mim, poesia é escrita para ser declamada ou cantada. Na juventude, assisti a algumas apresentações de declamação dos Jograis de São Paulo, um grupo formado por atores de teatro, das quais gostei muito. Em um dos espetáculos, alguns poemas eram letras de músicas; nestes casos, após a declamação pelos Jograis, Inezita Barroso cantava as músicas correspondentes. Uma delas começava assim: “Quando Ismália enlouqueceu, pôs-se na torre a sonhar, viu uma lua no céu, viu outra lua no mar...”. Foi um ótimo show que, se apresentado agora, seria uma demonstração de apoio aos juízes do Nobel.

Concordei, satisfeito, com a ideia da premiação, pois faz tempo que sinto poesia nas letras de música, nos “lyrics” associados à melodia.
Em meu primeiro livro, o “Histórias do Terceiro Tempo”, no capítulo “A Música e Eu”, escrevi sobre os tipos de música que acompanharam minha vida, que apreciei desde a infância e que continuo apreciando. Em particular, comentei as letras de canções nossas, de boleros, tangos, bossa nova – canções românticas, trágicas, brejeiras – e até letras de óperas (publicadas em libretos). Por exemplo, as letras de “João Valentão”, de Caymmi; de boleros, entre cujos autores, o grande destaque foi Agustín Lara, cognominado “O poeta da música” (“Solamente una vez”, de sua autoria, é um dos meus boleros preferidos); letras de tangos, em que destaquei “Yira, Yira”, extremamente trágica e pessimista, e “Tiempos Viejos”, profundamente saudosista. Quanto às óperas, que combinam música e teatro, destaquei no livro a ária “Credo in un Dio crudele”, da “Otelo”, de Verdi. Da bossa nova e de nossas canções mais recentes, as letras, principalmente de Vinicius e Chico Buarque, são inegavelmente poesias muito ricas.

O fato de os juízes do Nobel considerarem que letras de música são poesia – e, portanto, literatura – ao premiarem um autor de canções, parece-me plenamente aceitável.
Contudo, quanto à justiça na escolha do premiado, não tenho condições de concordar ou discordar. Tomei conhecimento de Bob Dylan por ser um artista cujo sucesso é do tempo de meus filhos, que compravam seus discos; eu também escutava, mas com interesse menor. “Blowing in the Wind” e "Mr. Tambourine Man", claro, ficaram na minha memória musical.
Quando pensei em escrever esta crônica, baixei um “song book” (e-book) do Dylan que traz a lista das músicas escritas por ele. Surpreso, contei 488 títulos. Depois, fui à Internet e achei um site que nos convida a ouvir "todas suas 583 músicas". Seja qual for o número correto, a produção de Dylan é muitíssimo respeitável.
Sobre a apreciação da outorga do prêmio, ilustrei-me com os excelentes artigos publicados por Jerônimo Teixeira, Sérgio Martins e Eurípides Alcântara na revista Veja em 19 de outubro último.

Afinal, por que escolheram Dylan? A resposta está no sopro do vento.


Washington Luiz Bastos Conceição


Notas:

1- Sobre o show mencionado, informo abaixo os links para acesso à Internet:

Inezita Barroso
Ismália – áudio (faixa de disco)
Ismália – vídeo de show

Os Jograis de São Paulo – história e áudio

Alphonsus de Guimaraens – Ismália e biografia

2- O e-book mencionado é: "Bob Dylan - The complete A-Z song book - All songs written by Bob Dylan". 

sábado, 15 de outubro de 2016

Vivendo a História

Há alguns anos, ao caminharmos pelo calçadão da praia conversávamos, meu amigo Gentil e eu, sobre vários assuntos. Como não podia deixar de ser, também falávamos sobre política nacional, particularmente sobre a fase turbulenta que já se iniciara. E, por comparações históricas, acabamos comentando a figura de Getúlio Vargas e de sua atuação como governante.
Falei-lhe, então, da posição antigetulista de meu pai, ilustrando com algumas histórias; essa posição passou de pai para filho.

Meu pai, Osmar Bastos Conceição, uma pessoa muito séria e muito equilibrada, detestava Getúlio Vargas. Melhor dizendo, detestava o comportamento político do ditador. Professor e advogado, republicano, admirava os políticos que, antes de Vargas, tinham uma atitude séria, condizente com a importância dos respectivos cargos, e que obedeciam a constituição vigente.
Por essa razão, ele me deu o nome do presidente Washington Luiz. Batizar filhos com o nome do presidente durante seu mandato era comum. Não foi o meu caso, pois nasci dois anos depois de Washington Luiz ter sido deposto por Getúlio. Este, derrotado na eleição que escolheu o sucessor de Washington Luiz, liderou a revolução que derrubou o presidente no final de seu mandato e tomou o poder que, como ditador, manteve por 15 anos.
Durante o período da ditadura Vargas, meu pai evitava discutir o assunto com os filhos, o que agora interpreto como uma precaução para evitar problemas com os meninos e a família, pois estávamos sob um regime ditatorial fascista. Entretanto, por presenciar suas conversas com amigos, conhecia muito bem sua posição firme, sua certeza de que um regime democrático seria melhor para o País.
Claro, ele me influenciou com sua opinião, mas aquilo que me transmitiu, mesmo sem querer, foi reforçado pela vivência que tive da ditadura Vargas. Cresci e fui educado sob aquele regime.

O Gentil me ouvia, mas ponderava que o Getúlio em seu governo introduziu aperfeiçoamentos na legislação trabalhista e promoveu o desenvolvimento industrial do País. Mencionou um livro sobre Vargas que achara muito bom e acabou me presenteando com ele. Como meu amigo me dera uma ideia geral sobre a abordagem do autor e eu estava entretido com outras leituras e meus escritos, demorei em ler o livro, o que fiz recentemente.
Trata-se de “Getúlio Vargas”, de Boris Fausto, da série “Perfis Brasileiros” da Companhia das Letras, publicado em 2006. Apresentado como o traçado do perfil do governante do Brasil que, no período republicano, esteve mais tempo no poder, o livro cobre desde os anos de sua formação até sua morte, passando pelos primeiros anos de governo, pelo Estado Novo, por sua queda como ditador e sua volta como presidente eleito.
Gostei muito do livro, não só porque me pareceu um notável trabalho de fácil leitura, como também por ter o autor mantido uma neutralidade exemplar, extremamente profissional.
Fatos de que eu tinha ideia, por leitura e narrações e, principalmente aqueles que acompanhei desde quando, ainda criança, passei a tomar conhecimento de assuntos sérios, foram surgindo na leitura como recordações muito fortes – lembrei-me de muita coisa daqueles anos vividos. O livro organizou essas recordações, acrescentando análises valiosas as quais não pude ignorar.
Em resumo, trata-se de um ótimo livro sobre um período importante da História do Brasil.

No primeiro capítulo, um parágrafo me impressionou, porque resume com muita propriedade o posicionamento das pessoas em relação a Getúlio:
“Em torno de sua personalidade e de sua ação política, ergueram-se um culto e uma repulsa. O culto foi tecido com a imagem do homem que esteve à frente das transformações econômicas e sociais, como um nacionalista que resistiu aos trustes estrangeiros, como o primeiro estadista que veio em socorro dos “humildes”, implantando no país uma legislação trabalhista. A repulsa batia em teclas pessoais – a frieza, o caráter dissimulado – e em traços negativos do homem público, entre eles o autoritarismo, que atingiu sua forma plena no Estado Novo, e a manipulação assistencialista dos trabalhadores.”
Ao ler este parágrafo, reconheci as razões da repulsa de meu pai, a qual também desenvolvi, especialmente considerando que o autoritarismo acima mencionado se traduziu em uma ditadura para valer, terrível, com censura total da imprensa e prisões e torturas de políticos.
Além de suas várias manobras políticas, incluindo traições bastante conhecidas (das quais foram vítimas os comunistas de Prestes e os integralistas de Plínio Salgado, por exemplo), Getúlio fazia uma propaganda política intensa e obrigatória, mediante seu Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP. Como principal meio de comunicação, utilizava o rádio, pois não havia televisão naquele tempo. Criou a “Hora do Brasil”, de transmissão obrigatória por todas as emissoras de rádio. A Rádio Nacional, estatizada em 1940, dominava a programação musical contratando artistas que acabavam se tornando colaboradores de Getúlio na promoção da imagem do ditador, principalmente como protetor dos trabalhadores (da indústria) e como “Pai dos Pobres”. Introduziu, assim, a prática do populismo, que hoje tem seguidores que excedem seu desempenho. Um exemplo que ilustra o trabalho abrangente da imagem: todas as repartições públicas ostentavam com destaque a foto do presidente (de terno, com a faixa) e todos os estabelecimentos privados eram obrigados a fazer o mesmo – até o sapateiro do bairro, que dependurava a foto na parede onde também exibia avisos como o habitual “Fiado só amanhã”.
Um resultado dessa propaganda toda que influenciou mais de uma geração foi a eleição de Getúlio após o período ditatorial. Nessa ocasião, Francisco Alves, O Rei da Voz, gravou a marcha que dizia “Bota o retrato do velho, outra vez, bota no mesmo lugar...”.
Em acréscimo ao comportamento político do ditador e a toda essa propaganda enganosa, uma forte razão para minha repulsa à figura de Getúlio foi seu programa de lavagem cerebral para as crianças e jovens que, como eu, foram criados e educados no período da ditadura.
Por exemplo, no curso de História do Brasil, a matéria era dada de uma forma detalhada. Aprendíamos bastante sobre o Brasil colônia, nossa independência e o período imperial. Porém, a partir da proclamação da República, o livro se encerrava com uma sucessão de fotografias dos presidentes, quatro por página, tendo como único texto as legendas indicando o nome do presidente e o período de seu governo, em ordem cronológica. No final, uma foto de página inteira de Getúlio Vargas e a data inicial, apenas, de seu período de governo. Lembro-me de minha primeira dúvida: por que o mandato (eu não conhecia a palavra) dos outros era de quatro anos e o do Getúlio já passava dos 10 anos? Não me lembro dos professores tocarem no assunto.
Outro exemplo: foi criada a disciplina de Educação Moral e Cívica, que tratava da educação física e do ensino de ordem moral. Havia aulas específicas e era exigido que as crianças fossem alinhadas no pátio da escola em formação militar antes de entrarem para as aulas. Essa exigência era fielmente atendida em Ponta Grossa, minha cidade, onde estudei por dois semestres. Cantávamos, então, vários hinos, incluindo a Canção do Soldado, o Cisne Branco (a Canção do Marinheiro, de que eu gostava muito), os hinos da Independência, da Bandeira, ao Duque de Caxias e, pasme a cara leitora ou o prezado leitor, o hino ao Estado Novo!
Após a democracia ser restabelecida, em 1945, houve um trabalho intenso nas escolas (eu já estava no ginásio) para explicar aos alunos o que era Constituição, Assembleia Constituinte, Senado, Cãmara dos Deputados, Governador do Estado, Assembleia Legislativa e as regras gerais do regime democrático. Os professores de História foram encarregados da missão.

Por tudo que expus, é impossível, para mim, ter uma posição fria e neutra quanto a Getúlio Vargas.
Essa talvez seja a grande diferença entre quem viveu e sofreu certo período da História e quem escreve sobre o mesmo período, ainda que de forma equilibrada, pesando as realizações, os erros e os defeitos dos governantes.

Em minhas elucubrações, tento prever como os historiadores, no futuro, contarão e avaliarão a história do período difícil que estamos vivendo, hoje, no Brasil. Se eles não tiverem vivido este período, suas narrações e análises serão, muito provavelmente, diferentes daquelas que eu e meus leitores faríamos.


Washington Luiz Bastos Conceição

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Vendo e sentindo a Olimpíada do Rio

“Minha posição é, simplesmente, a seguinte: já que decidimos sediar os jogos, temos de realizá-los da melhor forma possível.” Assim se manifestou um dos amigos ex-IBMs que participam de nosso almoço quinzenal, quando discutíamos, uma semana antes do início da Olimpíada do Rio de Janeiro, as imensas dificuldades que a Cidade e, por extensão, o Estado do Rio e o País estavam enfrentando para a realização dos jogos. Seu tom era o de “temos de fazer das tripas coração”, embora ele não tenha usado exatamente esta expressão.
De uma forma geral, todos os comensais estavam de acordo, sentindo que, nestes dias em que o País vive uma das piores crises econômicas de sua história, não é hora de festa, não poderíamos nos dar ao luxo de gastar tanto dinheiro com um evento mundial desse porte. Porém, por outro lado, tínhamos de considerar que, tendo assumido o compromisso, não havia como desistir.


A cidade do Rio de Janeiro apresentou sua candidatura à realização da Olimpíada em 2007 e foi escolhida em 2009. Naqueles anos, a economia do País estava crescendo (em 2006, o PIB cresceu 2,9%; em 2007, 5,4%; em 2008, 5,2%). Estávamos, portanto, otimistas quanto à nossa capacidade de realizar os jogos, embora soubéssemos que se tratava de um projeto de grande complexidade, muito maior do que a realização da Copa do Mundo de futebol, por exemplo. Contudo, era uma excepcional oportunidade de remodelar a Cidade Maravilhosa – Barcelona era para nós o maior exemplo dos benefícios que a Olimpíada poderia nos trazer.
Tínhamos sete anos para a preparação, o que parecia um prazo folgado, com a vantagem de podermos observar as etapas do projeto de Londres para 2012, mas o cenário econômico e o político foram mudando e acabamos tendo de realizar os jogos em meio àquela que vem sendo considerada a pior crise econômica e política de nossa História, neste ano da graça de 2016.
Para piorar, enfrentamos também uma sucessão de problemas sérios, cujas notícias repercutiram no mundo inteiro e alimentaram as mais pessimistas previsões das Cassandras locais e internacionais. Durante a preparação do evento, as notícias eram de atraso das obras dos vários locais de competição e de que os aeroportos não iriam suportar o movimento dos atletas e visitantes. Mais próximo do início do evento, o noticiário era desanimador: epidemia da Zika e de outras doenças transmitidas pelo aedes aegypti; o desastre da ciclovia (que, aliás, não era obra ligada diretamente ao evento), usado como indicador de que as construções para os jogos não eram confiáveis; o insucesso no programa de despoluição da baía de Guanabara; e outras, menos importantes.
Além desses problemas todos, era uma assustadora preocupação (nacional e internacional) a segurança para prevenir ações de malfeitores locais e, principalmente, possíveis ataques terroristas semelhantes aos que vêm ocorrendo na Europa. Preocupação essa que lançava uma tenebrosa sombra no evento.
Parecia que os Jogos no Rio estavam “rezados”, que feiticeiros poderosíssimos estavam conspirando contra o sucesso dos mesmos.
Apesar de todas essas preocupações, e talvez pelo exagero do pessimismo geral, aqui e lá fora, eu sentia que no Rio havia certo otimismo quanto ao sucesso na realização dos jogos, mesmo reconhecendo que haveria certamente algumas falhas, comuns em eventos dessa complexidade. Às vésperas da abertura dos jogos, vários cronistas se manifestaram nos jornais de uma forma realista, neutralizando em parte o bombardeio dos maus augúrios da imprensa internacional (lembrando: um grupo conceituado de cientistas chegou a sugerir, pouquíssimo tempo antes do início, que se cancelasse a realização dos jogos!).
Meus filhos, amigos e conhecidos compraram ingressos com antecedência para várias competições. O filho que mora na Califórnia tirou duas semanas de férias para vir assistir aos jogos; amigos vieram de fora do País (alguns a trabalho). Leilah, minha esposa, e eu programamos assistir aos eventos pela televisão, pois o acesso ao Parque Olímpico e outros locais dos jogos deveria ser feito por transporte público. Mandava a prudência que, pela nossa idade, não nos aventurássemos a tanto. A exceção seria, talvez, idas minhas com os filhos ao Maracanã (o que acabou acontecendo; já contei esta história, em crônica anterior).
Assistimos, portanto, em casa, ao espetáculo maravilhoso da abertura e às competições que mais nos interessaram, do vasto cardápio que nos foi oferecido (lembrando: só a Sport TV utilizou 16 canais para a transmissão dos jogos). No encerramento, também bonito e muito festivo, a comemoração triunfante do êxito. Lavamos a alma!
E a classificação do Brasil no quadro de medalhas? Parafraseando Getúlio Vargas, respondo: "Ora, a classificação!” (nota no final). Para mim, a medalha de ouro no futebol, inédita, e a de vôlei masculino já seriam ótimas – mas ainda tivemos algumas surpresas muito agradáveis. O prêmio maior foi o sucesso do evento.

Como complemento, seguiram-se os Jogos Paralímpicos, realizados com o mesmo êxito. A participação dos atletas e seu surpreendente desempenho emocionaram todos os espectadores. Certamente, tiveram como resultado de suma importância a conscientização do público em geral para a inclusão social de pessoas com os mais variados tipos de dificuldades físicas.

Conforme amplamente divulgado, dentre o legado dos jogos destacam-se: a nova linha de Metrô para a Barra da Tijuca; no Centro, a renovação da Zona Portuária, com seu espetacular Museu do Amanhã, o Boulevard Olímpico e o transporte por VLT; o Parque Olímpico, em Jacarepaguá, que será dividido em setores: Centro Olímpico de Treinamento, integrado por várias arenas, Arena Olímpica (já em concessão) e área para desenvolvimento imobiliário; as arenas móveis serão aproveitadas em edifícios escolares. E mais: os parques de Deodoro e Madureira serão utilizados pelos moradores da região.
Para mim, o Metrô para a Barra foi a mais surpreendente realização, pois, há décadas, em cada eleição para Prefeito do Rio, ele estava nas promessas de candidatos a prefeito – e nada acontecia! Custa-me acreditar que, finalmente, a nova linha foi construída e está funcionando muito bem. Quanto à remodelação (chamada “Renascimento”) da zona portuária, está encantando todos os visitantes.


No almoço seguinte de nosso grupo de amigos, quando a Olimpíada já era uma vitoriosa realização, cada um comentou os jogos e os espetáculos a que tinha assistido, incluindo idas ao Parque Olímpico e suas arenas; a Copacabana, para assistir ao vôlei de praia; ao centro, no Boulevard Olímpico; e ao Maracanã.
Concordamos que, agora, a nossa difícil tarefa será aproveitar ao máximo o legado dos jogos, que foi muito importante para o Rio e, por extensão, para o próprio País. Temos de realizá-la, e muito bem.
Nosso grupo comemorou, especialmente, o fato de que o Rio e o Brasil., tendo conseguido vencer enormes dificuldades para a realização dos jogos, nos levaram a sentir que nossa capacidade de realização pode ser aplicada a projetos maiores, como a retomada do crescimento do País. Este sentimento esperançoso parece ser o grande legado dos jogos para todos nós, brasileiros.

Penso se não seria otimismo demais fazer a extrapolação da capacidade de realizar os jogos para a capacidade de solucionar os problemas do Brasil. Lembro-me, entretanto, de fatores essenciais para o sucesso da Olimpíada: o empenho de autoridades no projeto, o desafio de mostrar uma boa imagem no âmbito internacional e o trabalho extraordinário dos voluntários. Este último me parece um recurso potencial muito importante para melhorarmos o País; poderemos aprender, com o Comitê Olímpico, a utilizá-lo em grandes projetos. Em particular, pensei nas tão sacrificadas áreas de Saúde e Educação e, dentre nossa enorme população, na quantidade de voluntários que poderíamos reunir.
Difícil? Difícil, mas factível. Ouso sonhar.

Washington Luiz Bastos Conceição



Nota:

Contava-se, quando eu era jovem: em uma ocasião em que o Getúlio, na posição de ditador, foi alertado por um assessor de que certa decisão sua contrariava a lei, ele respondeu: “A lei, ora a lei...”, expressão que eu traduzo para a linguagem de hoje como: “Querido, estou me ralando para a lei!”.

domingo, 28 de agosto de 2016

A Volta do Velho Torcedor

Cássio e Francisco, dois de meus filhos, me levaram ao Estádio do Maracanã no domingo, dia 21 de agosto. O jogo era a final de futebol masculino da Olimpíada do Rio de Janeiro: Brasil versus Alemanha.
Durante os jogos, o trânsito na cidade sofreu várias alterações e limitações, mas pudemos ir de taxi até as proximidades do estádio e concluir o trajeto a pé. Antes, uma parada técnica no Bar dos Chicos, na Tijuca, para encontrar um amigo de meus filhos, agora de toda a família, que estudou com um deles na Escola Americana, mora em Nova York e veio para assistir aos jogos e matar as saudades do Rio e dos amigos. E lá estava o Bill Cisneros, no bar superlotado, envergando a camisa amarela como, aliás, quase toda a multidão no bar, homens, mulheres e crianças; quase, porque alguns vestiam azul. Bill é fluente em Português, torce feito brasileiro e, tendo passado boa parte de sua juventude no Rio, não se aperta quando vem ao Brasil. Tomamos em chope preliminar com ele, que ainda ia fazer uma boquinha antes do jogo. Seguimos na frente, rumo ao estádio, meus filhos e eu. A caminhada que, para eles, não era nada de mais, para mim foi uma maratona: do bar à entrada principal do estádio (onde fica a estátua do Belini, capitão campeão do mundo em nosso primeiro triunfo em 1958) serão uns 400 metros, mas ainda tínhamos de contornar o estádio até chegarmos ao nosso portão de entrada. Em meio a uma multidão apressada que vinha em sentido contrário, senti que estava correndo a maratona; quase sucumbi, os 83 anos e onze meses pesaram. Pedi para os rapazes diminuírem a marcha, reclamei cada vez que chegávamos a um portão que, para minha decepção, ainda não era o nosso. Enfim chegamos a ele com bastante antecedência; não havia, praticamente, fila para os idosos, a revista foi rápida e adentramos (como gostavam de falar os narradores de futebol) o pátio do estádio, o Maracanã de tantas lembranças para nós, agora reformado para o primeiro mundo. Contudo, a maratona foi apenas interrompida, continuou pelas extensas rampas até chegarmos ao nível 2 em meio a um público crescente. Eu havia recuperado um pouco o fôlego e meus filhos tiveram a paciência de acompanhar meu ritmo lento. No anel do nível 2, após uma visita preventiva aos sanitários (hoje civilizados) buscamos nossa entrada, bloco 218, cujo corredor nos levou ao interior do estádio; aqui, o impacto de uma vista imponente e bela, já pulsando com a chegada do público. Talvez exagerando, tenho nessa entrada uma reação semelhante àquela que sinto cada vez que saio do túnel Rebouças e se abre a vista da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas faltava ainda a última etapa do triatlo (depois da caminhada nas ruas e na subida das rampas): a subida dos vinte e dois degraus que me levariam à fila “V”. Com a vigilância dos meus treinadores pessoais, tive sucesso; concluí a prova mas, infelizmente, minha medalha, agora, só em Tóquio. Achei minha cadeira, acomodei-me e enviei, pelo “whatsapp”, uma mensagem para a Leilah, minha esposa: “Estamos acomodados no Maraca”. Eram 16 horas e 48 minutos e o jogo começaria às 17 e 30.
Luiz, meu filho mais velho, chegou em seguida, vindo do Boulevard Olímpico, no renovado centro da cidade. Bill estava em outro setor das arquibancadas.

Washington, Luiz, Francisco e Cássio

Já havíamos estado no Maracanã, três dias antes, para assistirmos à semifinal, também de futebol masculino, Brasil versus Honduras. Foi uma boa festa, o nossa seleção ganhou de seis a zero. A final, porém, seria um jogo muito mais difícil em que não éramos favoritos – a seleção da Alemanha é muito forte (o futebol naquele país está numa fase muito boa, a seleção principal é campeã mundial, conquistou a copa de 2014) e vencera a Nigéria na outra semifinal.
Lá pelas 17 horas, com o estádio lotado, os jogadores e os árbitros entraram em campo para o aquecimento, provocando excitação da torcida. Os alemães de um lado, os brasileiros do outro e os juízes no meio do campo fizeram exercícios variados, correndo, alongando-se e batendo bola. Aquela movimentação toda já era um espetáculo. Não sei dizer quanto durou o aquecimento, talvez uns vinte minutos. Voltaram ao vestiário e, sem muita demora, iniciaram-se os procedimentos de entrada em campo para o jogo, agora chamados “protocolo”: primeiro as bandeiras, depois os árbitros e os jogadores, que se perfilaram para a cerimônia de apresentação dos hinos. Muito impressionante, arrebatador, foi o canto do hino brasileiro pela imensa plateia do estádio seguido de um aplauso ensurdecedor.
Em seguida, foi dada a saída.

Tenho assistido a muito futebol pela televisão e vou ao estádio muito raramente (mais recentemente, durante a Copa das Confederações e a Copa de 2014), sempre levado pelos meus filhos. No estádio, a visão do jogo em si é muito diferente: vejo o campo todo, podendo observar o posicionamento de todos os jogadores e sua movimentação. Contudo, não consigo observar detalhes das jogadas, especialmente quando estão mais longe do meu posto; em geral, consigo identificá-los pelo jeito de conduzir a bola e, em alguns casos, pela cor das chuteiras. Na televisão é o contrário, vejo bem os detalhes, mas não o posicionamento dos jogadores no campo; e as distâncias entre eles, e deles para o gol, são alteradas pelo enfoque das câmeras.

O jogo começou movimentado, equilibrado, mas logo fiquei preocupado com os contra-ataques dos alemães que tinham dois atacantes bem abertos, juntos às laterais esquerda e direita do campo. Não deu outra: eles acertaram um ótimo chute no travessão após a penetração e o cruzamento da “ponta esquerda”. O velho torcedor aqui não entendia por que o técnico não corrigia o posicionamento da defesa, o que só fazia aumentar meu nervosismo.
Do outro lado (eu estava perto do gol defendido pelo Brasil) nossos jogadores buscavam atacar muito pelo centro do campo e, como os alemães estavam marcando muito bem (e cometiam várias faltas) estava muito difícil marcar um gol. Até que, na cobrança de uma falta, feita com perfeição, o Neymar fez o gol. A torcida que, antes da cobrança, já havia estimulado o jogador bradando “Neymar! Neymar! Neymar!", explodiu em megacomemoração. O Maracanã “quase veio abaixo”, como dizem os jornalistas esportivos. Um a zero foi o resultado do primeiro tempo.
Durante o intervalo, permaneci em meu lugar mas meus filhos me trouxeram um copázio de “chope” (era o meu segundo, o primeiro foi saboreado antes do início do jogo).
Nossa seleção não começou bem o segundo tempo, errou passes no meio de campo, continuou vulnerável pelas laterais e acabou sofrendo o empate numa bela jogada de conjunto dos alemães. Decepção na torcida! Como soe acontecer, após o gol alemão a seleção passou a jogar melhor e buscou muito o segundo gol que, infelizmente, não aconteceu. Veio a prorrogação, em que os brasileiros voltaram a atacar mas não conseguiram marcar; os alemães prendiam a bola usando a tática de contra-ataques, dando a impressão que preferiam ir para a decisão em pênaltis. Parecia que eles achavam, como eu e provavelmente a maioria da torcida, que nessa decisão o nervosismo tomaria conta de nossos jogadores e estes seriam superados pela frieza germânica (como acabara de ocorrer com nossa seleção feminina olímpica de futebol na semifinal, contra a Suécia). O empate permaneceu e os jogadores se prepararam para bater os pênaltis.
Caro leitor ou prezada leitora, talvez você tenha compartilhado comigo e com quase toda a população do País aqueles minutos de ansiedade. No meu caso, preparando-me para o pior.
Foi escolhido para a decisão o gol próximo a nós e a seleção alemã iniciou a cobrança dos pênaltis. As vaias da torcida não impediram que o primeiro alemão marcasse. Em seguida, o primeiro brasileiro também marcou. Assim aconteceu com a segunda, a terceira e a quarta cobranças. Em cada uma delas, a torcida contra o alemão e o coração na boca quando o brasileiro, pressionado pela eficiência do adversário, tinha também de marcar. Admiráveis rapazes, de ambos os lados, bateram muito bem e tiveram sucesso, apesar do esforço dos competentes goleiros. Até que Weverton, o goleiro brasileiro, defendeu o chute do quinto alemão. A esperança da torcida se manifestou mediante um clamor estrondoso; ao mesmo tempo, ninguém se esqueceu de que ainda tínhamos de acertar a quinta cobrança. E o encarregado de bater o pênalti era Neymar.
Enquanto este se encaminhava lentamente do meio de campo para a marca do pênalti, eu me lembrava de minha constatação (que chamo de regra) de que, na decisão por pênaltis, especialmente em torneios de seleções, os craques do time não marcam. Minha observação vem desde a copa do mundo de 1986 no México, quando Zico, Sócrates e companhia foram eliminados pela França (com uma dose terrível de falta de sorte), passando pela copa dos Estados Unidos em 1994, quando o Brasil eliminou a Itália na final – o Baggio, craquíssimo da seleção italiana, mandou a bola para as nuvens e, para não me alongar, mais recentemente, o Messi, melhor jogador do mundo, errou na decisão da Copa América deste ano nos Estados Unidos. Naquele momento, a cabeça ultrarracional do engenheiro cedeu aos seus estímulos sobrenaturais, especialmente à específica superstição de torcedor. Vestido com a mesma camisa (não sei como ainda serviu em mim) e o mesmo boné que usei na copa de 1994, confesso que ainda implorei a Deus que fizesse uma exceção à minha regra naquele dia em que Neymar, nosso craque, ia bater o pênalti decisivo. Imagino, agora, o que terá passado pela cabeça dele no momento da batida do pênalti. Certamente, sentia o peso do Maracanã cheio, com uma torcida única extremamente vibrante, além de saber que os brasileiros todos estavam presos à televisão. Enfim, uma imensa torcida sofrida, abatida pelos insucessos recentes de sua seleção principal.
Neymar marcou com um belo chute, indefensável, e recebeu talvez a maior ovação de sua vida.
Recebi uma chuva de cerveja dos torcedores que, acima e atrás de mim, não se contiveram e brindaram daquela forma. Não me importei, nem minha velha camisa, que foi rebatizada.
A torcida voltou a cantar todo seu repertório muito peculiar (alguns dos cantos eu não conhecia), além dos gritos de "É Campeão!". Mais repetidos foram ”O Campeão Voltou”, “Sou Brasileiro..” e outro que fala dos 1000 gols do Pelé e faz uma referência pouco elogiosa ao Maradona.
Permanecemos no estádio (como quase todos os espectadores, aliás). Após algum tempo, assistimos à solenidade da entrega de medalhas com os alemães circunspectos e os brasileiros festejando muito, aos pulos.
Enfim, a Seleção Brasileira Olímpica de futebol conquistou a medalha de ouro, inédita, tão perseguida nas últimas competições, especialmente porque a seleção principal é pentacampeã mundial.

Espetáculo encerrado, desci com cuidado as escadas e as rampas. Nestas, a multidão barulhenta e entusiasmada continuava entoando seus cantos e, tratando-se de torcida única, não houve problemas. Eu seguia com meus guarda costas, meus filhos e o Bill, que fora se encontrar conosco. Deixamos o estádio.
Como voltar para casa? Descartamos o metrô, pois estaria muito cheio; passamos a caminhar pelo bairro da Tijuca procurando tomar um taxi. No meio de um trânsito pesado, muito lento, os poucos taxis que vimos estavam ocupados, de modo que resolvemos voltar ao bar dos Chicos para esperar aliviar o trânsito. Como não podia deixar de ser, o bar estava cheíssimo e foi difícil arrumar uma mesa para celebrar com alguns chopes e petiscos. O mesmo garçom da tarde, ultra-atarefado e apressado, servia a bebida, o filezinho aperitivo pedido demorou um século. Quando deixamos o bar e conseguimos um taxi para voltar para casa já eram umas onze horas.
Cheguei cansado, parecia que eu tinha jogado 120 minutos marcando o Neymar, mas estava certo de que tinha aproveitado, graças aos meus filhos, uma oportunidade preciosa de participar de um evento especialíssimo para mim.
Feliz, mais uma vez me pergunto se terá sido minha despedida dos estádios. Quem sabe?

Washington Luiz Bastos Conceição


sábado, 30 de julho de 2016

Um vizinho ilustre e seu novo livro

Monique, nossa vizinha no Meia Lua, edifício em que moro há 46 anos e meio, nos convidou (Leilah, minha esposa, e eu) para o lançamento do livro de seu marido, Fernando, que seria feito na segunda-feira seguinte, na livraria Argumento, no Leblon. Pudemos comparecer e foi, realmente, um evento muito bom. A livraria estava cheia, movimentada. Os idosos eram maioria, pois o autor acabava de completar 90 anos. Dentre os presentes, Leilah e eu só conhecíamos pessoalmente o casal. Conseguiram uma cadeira para Leilah se acomodar e eu fui para a fila. Muito dos presentes aproveitavam a lentidão da longa fila para conversar, aparentando ser conhecidos de longa data. Eram reencontros, os assuntos variavam; percebi que alguns tratavam de política em tempos passados, outros se referiam a pessoas conhecidas. Acabei batendo um papo com um senhor que estava na minha frente, muito mais moço do que eu, mas já de meia idade. Ao longo da conversa, fiquei sabendo que é médico. Era abril deste ano, portanto a situação política e econômica do País era um assunto obrigatório, tratado com muita cautela, pois desconhecíamos a posição um do outro, mas senti que nossa visão era semelhante. Ele foi cumprimentado por vários outros convidados, que acabaram falando comigo. Um deles foi Roberto D’Avila, que eu vejo muito na televisão. Os drinques e petiscos animavam as conversas. Afinal, cheguei à pequena mesa em que estava o autor, obtive seu autógrafo no livro que comprara e tivemos uma rápida e simpática troca de palavras. Logo depois chegava o Sr. Francisco Dornelles, já Governador em exercício do estado do Rio de Janeiro. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso era também esperado. Durante todo o tempo, Monique circulava entre os presentes e uma senhora, aparentemente a diretora da editora, estava coordenando o evento.
Quando Leilah e eu voltamos para casa, a reunião continuava bem animada.

Fernando Pedreira, na década de 1950, era, para mim, o articulista político por excelência, que escrevia no “O Estado de São Paulo”. Solteiro, eu morava com meus pais e o jornal que líamos era o “Estadão”. No começo dessa década, eu cursei Engenharia e, uns anos depois, Leilah cursou Arquitetura. Em 1959, nos casamos.
Quando estudante de Arquitetura, Leilah foi aluna de Renina Katz, professora de artes plásticas, com a qual se deu muito bem. Chegou a ir uma vez à casa dela para finalizar um projeto. Nessa época, Renina era casada com Fernando Pedreira, mas não tivemos contato com ele. Depois de formada, Leilah perdeu o contato com a Renina, mas continuamos assíduos leitores dos artigos do Pedreira.
Anos se passaram.
Na década de 1960 até 1968, ainda morando em São Paulo, Leilah trabalhou em projetos de Arquitetura, principalmente na área de paisagismo, e eu continuei minha carreira na IBM. Em 1968, um projeto internacional da empresa nos levou a Chicago. Na volta ao Brasil, em fins de 1969, fui transferido para o Rio de Janeiro e a família se mudou em janeiro de 1970. Instalamo-nos no Leblon, no Meia Lua, edifício constituído de três blocos contíguos, com dezessete andares e dois apartamentos por andar.
Desde então, tivemos vários vizinhos de porta; durante algum tempo, o casal Monique e Fernando. Cumprimentávamo-nos cordialmente, mas não chegamos a ter aproximação com eles, pois Leilah e eu, trabalhando fora de casa e criando quatro filhos, tínhamos um programa de vida diferente do deles, que não tinham filhos; e as respectivas rodas de amigos eram diferentes. Os nossos eram principalmente colegas de trabalho, alguns parentes e suas famílias. Os deles (fiquei sabendo agora, ao ler o livro do Fernando) eram seus companheiros de jornalismo e de política, gente famosa. O casal deixou o prédio, esteve uma boa temporada na Europa e, ao voltar ao Rio, veio morar novamente no Meia Lua. Desta vez, em outro bloco e, mais recentemente, voltou ao nosso, em outro andar. Vemo-nos com frequência no prédio, principalmente a Monique. Curioso é que, apesar de todo esse tempo de vizinhança, Fernando e eu nunca chegamos a conversar. Só troquei algumas palavras com ele no dia do lançamento do livro.

O novo livro de Fernando Pedreira, lançado em 30 de março último, tem como título “Entre a Lagoa e o Mar” e subtítulo “Reminiscências”.
Gostamos muito do livro, Leilah e eu. No dia seguinte ao lançamento, ela se apossou dele e leu em primeiro lugar – e, ainda, o releu em parte, assinalando frases e passagens que a impressionaram mais, especialmente aquelas em que o autor menciona fatos ocorridos em São Paulo e as ruas e bairros que conhecemos muito bem. Tive de esperar a minha vez para ler.
Em suas 409 páginas de tamanho 15cm por 23cm, Pedreira narra, de forma ágil e atraente, as lembranças de uma vida movimentada, longa, bem vivida, descrevendo pessoas, lugares e ambientes. Acrescenta comentários à narração e chega até a filosofar de vez em quando.
Livros de memórias não deixam de ser livros de histórias, de histórias reais que, na sua ambientação, trazem também muito da História da época em que ocorrem. Particularmente, me agradam muito. Mas Pedreira acrescenta um tempero especial à narração: não a faz linear no tempo, embora tenha uma cronologia básica; suas idas e vindas desafiam o leitor, adianta fatos e diz que tratará deles mais tarde, retrocede a outros narrados anteriormente e comenta que já os mencionou; conta suas peripécias da infância e juventude de uma forma aberta e fatos ocorridos com seus amigos e conhecidos com total liberdade e franqueza. E, destaque-se, seus amigos são pessoas notáveis, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, que leu o livro antes de sua publicação e fez seu prefácio mediante uma carta muito simpática dirigida ao seu xará. Leilah comenta, ainda, que Pedreira descreve bem os locais visitados em suas viagens e conta passagens muito interessantes de seus amigos e conhecidos famosos, das quais não tínhamos conhecimento.
Desfrutei as histórias e, ao mesmo tempo, observei a técnica adotada pelo autor, que tornou o livro um “pageturner”, pois prende o leitor de forma a fazer difícil a interrupção de sua leitura. Seu texto, em Português perfeito, é de fácil leitura, não precisei recorrer ao dicionário. Dois detalhes me chamaram a atenção: páginas inteiras sem parágrafo (lembrando Saramago) e o uso frequente do ponto e vírgula, que aprecio como leitor e gosto de usar em meus escritos.
Enfim, uma leitura muito agradável que ainda nos proporcionou, à Leilah e a mim, recordações de fatos vividos e a ilustração de algumas passagens históricas.
No final do livro, a surpresa do registro: “Fim do primeiro volume destas reminiscências – 2015”.
Aguardemos o segundo volume.


Washington Luiz Bastos Conceição

sábado, 9 de julho de 2016

Notícias - Julho de 2016


Cara leitora ou prezado leitor:

Venho fazer alguns comentários sobre minhas publicações.

Este blog continua com uma visitação muito regular, que atribuo aos amigos e mais alguns curiosos. Os robôs se manifestam de vez em quando. Por exemplo, houve uma quantidade excepcional de acessos originados nos Estados Unidos no último dia 4, o “Independence Day” daquele país. E o blog continua registrando visitas de diversos países onde, que eu saiba, não tenho conhecidos.
Noto que meu habitual anúncio das publicações por e-mail e, agora, também pelo Facebook, está funcionando como lembrete aos amigos e provoca visitas imediatas.
Continuo satisfeito com esta minha atividade e com os “feedbacks” que recebo.
Obrigado.

·      Quanto à publicação de meus livros, tenho aumentado gradativamente sua lista. Este ano, lancei o “Uma vez por ano”, que reúne as crônicas publicadas no blog de agosto de 2014 a dezembro de 2015.
Neste mês, estou preparando uma edição ampliada do “Para você se animar a escrever seu livro” na qual acrescento ao texto da primeira edição a descrição de meu trabalho no blog e na publicação de e-books e de livros para a impressão por encomenda (“on demand”). Mantendo o objetivo descrito na primeira edição, incluo informações úteis aos leitores interessados em escrever e publicar seus escritos.

·     A amazon.com.br passou a oferecer livros impressos “on demand” ao mercado brasileiro. Com a alta da taxa do dólar, os livros resultam caros, particularmente aqueles com ilustrações coloridas (o meu “A Califórnia e Nós”, a cores, por exemplo, está anunciado com um preço desproporcionalmente elevado).
Como a impressão em pequena tiragem por gráficas locais também é cara e o investimento resulta em prejuízo para o autor independente, continuarei recorrendo à solução “on demand”, porém em preto e branco.
Informações sobre meus livros estão disponíveis na internet, principalmente mediante acesso aos sites amazon.com.br, amazon.com e vececom.com (link nesta página em "Livraria Virtual"). São eles:
“Histórias do Terceiro Tempo”
“Para você se animar e escrever seu livro”
“O Projeto 3.7 e Nós”
"The Project 3.7 and Us"
“Três Contos” (um pequeno livro, meu ensaio na ficção)
“A Califórnia e Nós”
“Crônicas Selecionadas 2012 – 2013”
“O Meia Lua” (crônicas de 2013 e 2014)
“Uma vez por ano” (crônicas de 2014 e 2015).

Reitero meus agradecimentos a você, por sua atenção.


Washington Luiz Bastos Conceição


domingo, 19 de junho de 2016

Perda de Funções Cognitivas

Nota
Cara leitora ou prezado leitor:
Com esta crônica que trata de um assunto difícil de abordar, pretendo abrir um diálogo com os leitores, entre os quais haverá certamente alguns que, tendo conhecimento específico ou mesmo experiência pessoal, poderão acrescentar informações valiosas mediante seus comentários.


Dentre nossas preocupações maiores com a saúde em geral, males de idosos ligados ao cérebro estão sendo muito discutidos e pesquisados. E nós, os maiores de setenta, vivemos nos perguntando se o mal de Alzheimer vai nos pegar.
Parentes, amigos e conhecidos estão sendo acometidos dessa enfermidade ou de outras de sintomas semelhantes: demência ou perda de funções cognitivas, principalmente de memória, atenção e expressão verbal.
A boa notícia é que, embora considerada incurável, a doença de Alzheimer pode ser tratada, retardando seu avanço e controlando seus sintomas.


Já há algum tempo, recebo e-mails com informações que supostamente interessam aos idosos. Devem interessar também àqueles que têm parentes idosos e, afinal, a todos que pretendem chegar a uma idade avançada. Algumas dessas informações tratam dos sintomas do Alzheimer e acrescentam recomendações sobre como evitá-lo ou retardá-lo. Entre estas, a de que, em suas atividades diárias, cada um exercite movimentos de forma diferente da habitual. Por exemplo, se você for destro, usar mais a mão esquerda (e vice-versa, claro!). Há também a ideia de que passatempos e jogos que exercitem o cérebro mantêm a lucidez do idoso por mais tempo, estimulando-o com desafios e evitando males da velhice.
Outro dia soube, por um amigo, da existência de um treinamento chamado Supera indicado para idosos com o objetivo de evitar ou retardar o Alzheimer.
Interessado no assunto por razões óbvias, fui à Internet colher mais informações. No site (sítio) do Supera, tive informações sobre os tratamentos oferecidos e assisti a alguns dos vídeos explicativos, entre os quais se destacaram apresentações e entrevista da Dra. Carla Tieppo, neurocientista e professora da Faculdade da Santa Casa de São Paulo e da Pontifícia Universidade São Paulo. Fiquei sabendo que o método foi desenvolvido inicialmente para tratar crianças com problemas de desenvolvimento, como transtorno de desvio de atenção, por exemplo, mas foi estendido para o tratamento de idosos para prevenir ou reduzir os efeitos do Alzheimer e males semelhantes. Alguns dos vídeos mostram atividades do treinamento do Supera, que incluem exercícios com o Soroban (ábaco japonês), o cubo mágico, o Sudoku (jogo com números), quebra-cabeças e outros. Fiquei satisfeito por saber que já pratico alguns deles.


Aposentados, mesmo aqueles que encontram algo interessante e importante para fazer, recorrem, na rotina diária, a passatempos. Creio que sou um exemplo destes. Além de escrever, meu atual compromisso de trabalho (compromisso comigo mesmo), faço palavras cruzadas, enfrento logo-desafios do jornal, resolvo problemas de Sudoku e, no computador, jogo o Freecell. Este jogo solitário com as cartas de baralho, da família do Paciência, é hoje bastante conhecido pelos usuários de computador. É um daqueles vários jogos que os fornecedores do software operacional oferecem juntamente com o sistema. Tomei conhecimento do Freecell desde que passei a utilizar um dos primeiros Windows. Na empresa em que eu trabalhava nessa ocasião, algumas pessoas usavam jogos depois de terminadas as atividades do dia (especialmente o atendimento a clientes) esperando uma carona ou melhora do trânsito da volta para casa. O Freecell era um dos jogos utilizados. Naquele tempo, e até me aposentar, eu não precisava jogar, pois o trabalho já me proporcionava ótimos desafios com planilhas complicadas do Excel para análise de informações, planejamento e controle de operações; com o Powerpoint para apoio a apresentações a clientes e com o Project para controle de projetos. Na vida mansa de aposentado, além dos outros passatempos já mencionados acima, passei a jogar o Freecell.
Contudo, considerando minha atual capacidade de atenção, de concentração e, especialmente, de memória, parece-me que tenho de fazer mais exercícios – e vou fazer.

Mesmo havendo divergências dos cientistas sobre uso de medicamentos e novos métodos (como ginástica cerebral, por exemplo), temos de buscar novas atividades para retardar a perda de nossas funções cognitivas, perda considerada normal com o avançar da idade. E, fundamental, conforme recomendam os médicos, temos de nos alimentar adequadamente e cuidar muito bem da saúde, especialmente do sistema cardiovascular.

Washington Luiz Bastos Conceição



Notas:

1) Relaciono abaixo os links de dois dos sites que visitei e de dois vídeos a que assisti:
a)   Entrevista da Dra. Carla Tieppo sobre memória (vídeo): https://www.youtube.com/watch?v=qZAaliNinAQ
b)   Apresentação da Dra. Carla Tieppo sobre funções cognitivas (vídeo):
d)   Neurocientistas brasileiros destacados pela wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Neurocientistas_do_Brasil

1    2)  Visitei também o site da Rede Sarah que, entre diversas atividades, faz reabilitação neurológica. Nesta especialidade, uma das patologias atendidas é a doença de Parkinson.