terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Leves Pesadelos

Não sou muito de sonhar durante o sono. O mais das vezes, tenho sonhos confusos de que não consigo me lembrar ao acordar. Isto, a vida inteira, desde a infância.
Contudo, há exceções e, curiosamente, são sonhos curtos e desagradáveis, que se poderia chamar de “leves pesadelos”. Ou seja, incomodam mas não aterrorizam. Desde pequeno, mas até recentemente, sonhava que estava na escola e, muito constrangido, constatava que ainda estava de pijama. Às vezes, tinha de correr de algum perigo e não conseguia me movimentar (claro, na realidade, eu estava deitado). Em alguns casos, estranhos, eu tinha consciência de que estava sonhando.
Na juventude, os mais comuns eram sonhos sobre dificuldades em exames escolares, em situações que não conseguia resolver; apenas me livrava delas ao despertar.
Recentemente, depois de algum tempo sem nenhum sonho notável, tive dois sonhos curiosos.
Em um deles, eu estava trabalhando em um projeto com um grande amigo, que era o executivo responsável pelo mesmo. Após discutirmos a estratégia e o plano, preparei uma apresentação do anteprojeto, usando o Powerpoint (leitor, notou o detalhe?). No decorrer da apresentação, porém, chegamos a um item sobre o qual tínhamos divergido e ele ficou irritado com minha insistência. Neste ponto, abandonei o projeto dizendo que não queria perder o amigo, e acordei. No dia seguinte, telefonei para ele e contei o sonho. O curioso dessa história é que somos amigos há muito tempo e nunca fizemos qualquer trabalho ou negócio juntos!
No segundo, estava frequentando uma espécie de curso de pós-graduação e tinha de fazer um trabalho de arquitetura. O trabalho era uma exposição de plantas em painéis, em ambiente muito estranho, à noite. Eu nem havia começado e, se não fizesse o trabalho, seria reprovado. Fui pedir ajuda e orientação ao professor e acordei.

Um dia destes, o sonho me levou a uma festa muito sofisticada, provavelmente de casamento. Tomei um bonde fechado (semelhante aos antigos “camarões” da linha Santo Amaro, em São Paulo), pois o lugar da festa era afastado.

O simpático "camarão"
A casa ficava em um terreno imenso, com um gramado semelhante ao da mansão de “Downton Abbey” (série exibida na televisão), mas era térrea, moderna, do tipo que os americanos chamam “ranch house”. Os convidados foram chegando, seria  servido um jantar. Entretanto, de repente constatei que eu estava trajando bermudas, uma camiseta velha daquelas que só uso em casa e um par de tênis para lá de sambado. Saí “rapidinho”, à francesa, e me dirigi ao ponto do bonde para voltar para casa.

A esta altura da narração, prezada leitora ou caro leitor, você poderá estar fazendo suas interpretações dos sonhos. Para ver se concordamos em alguns pontos, penso que a questão recorrente do problema de indumentária provém de dificuldades enfrentadas com o guarda roupa na infância e na juventude, aliadas a uma preocupação em se apresentar corretamente vestido para cada situação. Quanto às dificuldades escolares, certamente provêm da pressão das provas nos duros cursos que enfrentei na formação colegial e universitária, principalmente. Os ambientes e eventos dos sonhos sofrem claramente a influência de imagens e ocorrências reais.
Freud explicaria melhor.

Fugindo a esses padrões, uma história positiva: sonhei recentemente com um amigo (não identificado) que tinha um negócio qualquer e montara um sistema de vendas que dera muito bom resultado. Se algum leitor pensar que se trata de algo semelhante à venda na internet, caiu do cavalo. Era simplesmente o seguinte: seus vendedores, de boa aparência e bem vestidos, ofereciam seus produtos para pessoas em pontos de ônibus – um processo de venda direta, face a face, com tempo suficiente para uma argumentação. Os produtos, que não eram artigos vendidos por camelôs, eram entregues depois mediante pedido. Nenhum detalhe surgiu no sonho sobre os produtos, a forma de pagamento e a de entrega, bem como nenhum problema ligado ao tipo de operação. O que foi destacado foi o sucesso do sistema e o ótimo resultado  do negócio. Enfim, um sonho realizado dentro do sonho!
O assunto deste está claramente ligado às minhas atividades profissionais de marketing, mas eu nunca teria pensado em vender computadores e serviços em pontos de ônibus.

Washington Luiz Bastos Conceição 



Nota: A foto foi copiada do site "Imagens de bonde camarão".