sábado, 13 de setembro de 2014

O Dia dos Pais e O Neto Blogueiro

Em meio às tristezas de agosto, um dia de trégua – o Dia dos Pais. Trégua, porque ele provocou uma reunião da família; e reuniões de família se tornaram, para nós, os mais velhos, cada vez mais importantes.
Parece-me (não vou pesquisar) que essa comemoração seguiu a do Dia das Mães e que foi, também, muito estimulada pelo comércio. Não me importo com essa origem e nem com a quantidade de e-mails que recebo nas semanas que precedem o segundo domingo de agosto (no Brasil), pois eles servem até de lembrete para mim. Este ano, recebi muitas sugestões de presentes da área de perfumaria e comparei com as sugestões para o Dia das Mães, dentre as quais se destacam os telefones celulares com os mais variados recursos.
 
A melhor comemoração é, certamente, um almoço em família; juntando filhos e netos aos avós, melhor ainda. E as crianças, com seu extraordinário desenvolvimento de hoje em dia, são uma atração especial: homenageiam o pai e os avós com declarações ou, mesmo, com pequenos discursos. Desde cedo, adquirem um vocabulário relativamente amplo, na escola, em casa, em sua maior convivência com adultos e, até, ao assistir a filmes na televisão. Claro, às vezes se confundem, como um garoto de uns nove anos que, ao cumprimentar o pai, o chamou “meu pai preferido” em uma reunião de uma família amiga nossa – e deu aos tios, grandes gozadores, a chance de animarem a festa mais um pouco. 
 
Este ano, nossa família comemorou o Dia dos Pais com um almoço em casa de minha filha. Estávamos Leilah, minha esposa, eu, os filhos e noras daqui e Bruno, o neto carioca (o ramo americano comemora o Dia dos Pais em outra data). A reunião foi muito agradável, com a habitual entrega de presentes, aperitivos e um ótimo almoço. O destaque da tarde foi o discurso do Bruno (onze anos no dia 15 próximo), preparado por ele na véspera. Leu, em grande estilo, para um auditório atento. 
 
Na escola, Bruno tem aulas de apresentação e até algumas de teatro. Lê muito os livros apreciados por sua geração, em geral ilustrados, desenha e também escreve histórias, altamente influenciadas pelos filmes de aventuras. Para ele, ficção é sinônimo de ficção científica; sugeriu que eu escrevesse uma história de aventuras intergalácticas. É um dos leitores de meus livros e crônicas – e divulga os escritos do avô.
 
Bruno e Vovô - Os blogueiros
No sábado, ele, em minha casa, resolveu escrever o que chamou de crônica, para ler no dia seguinte. Usando o computador da Leilah, digitou e imprimiu o texto rapidamente, usando fontes de tamanho grande e negrito para destaques.
Seu texto me surpreendeu, tanto pelo uso de algumas palavras menos comuns, quanto por algumas considerações sobre a data e a condição de pai. No final, uma mensagem que contém uma preocupação de pré-adolescente.
Transcrevo-o abaixo, sem qualquer edição de minha parte, embora eu tenha sido tentado a melhorar a pontuação. As pausas necessárias ele fez na leitura.
 
“A crônica do neto blogueiro
 
Queridos vovô e pai: lhes fiz essa crônica como presente de dia dos pais, agora é a minha vez de blogar um pouquinho. 
 
Um domingo, a família reunida. Os pais são tratados como soberanos. As mães já tiveram o seu dia mas eu, a criança, aguardo impacientemente, porem sei que o dia vai chegar, mas bom vamos falar dos pais por que é o dia deles. 
 
Os pais, dia deles ganham presente de acordo com a data dia dos pais. Daí eu pensei “Os pais só ganham camisas, calças e cartões. Mas porque não uma crônica?" Por isso estou escrevendo isso agora. 
 
Os pais são bem legais sabe, os melhores amigos do mundo. Sempre te dão dicas e são dicas que funcionam; os pais e os filhos sempre brigam, mas isso é para deixar para traz e agora deixa-los curtir o momento de rei, porque isso só dura um dia. 
 
O final da crônica está a caminho, mas eu só quero dizer: curtam pais curtam porque a época soberana está acabando, depois tem o autor aqui que vira soberano.
Bruno Mellone Ribeiro Conceição”
 
 
Washington Luiz Bastos Conceição 


Nota:
O caro leitor ou a prezada leitora pode me achar um avô “babado” e, provavelmente, terá toda a razão. Porém, mais uma vez, ouso me comparar aos grandes Zuenir e Veríssimo que, de vez em quando, relatam falas e feitos das respectivas netas. Na última quinta, dia 11, em sua coluna do “O Globo”, Veríssimo conta que Lucinda, sua neta de seis anos, ao lhe mostrar a maneira correta de tomar uma casquinha de sorvete sem pingar na roupa, lhe disse: “Aprenda com uma profissional...”.