quarta-feira, 6 de abril de 2016

Recompensa

Vivo dizendo aos leitores que escrever me dá muita satisfação. Escrever livros era algo que eu desejava muito, mesmo sabendo que eles não seriam “best sellers”. Os parentes e amigos, condescendentes, continuam me estimulando. Escrever crônicas, publicando-as inicialmente no blog, trouxe-me uma satisfação a mais: o contato contínuo com os leitores e a contribuição de seus comentários.
O que eu não esperava era ver uma de minhas crônicas publicada em um livro didático de Português por uma editora altamente renomada. Vou resumir a história:
Em junho de 2014, dois anos e meio depois de eu ter iniciado a publicação de minhas crônicas no blog, recebi um telefonema que, de início, me pareceu gozação de algum amigo. Voz de homem, apresentou-se como representante da editora Oxford (Oxford University Press), dizendo que havia publicado um comentário no meu blog sobre o interesse da editora em publicar um texto meu. Fui ao blog e o comentário estava, realmente, lá.
Conversamos e depois ele confirmou o telefonema mediante e-mail em que declarava:
“Nós temos interesse em utilizar o texto abaixo em nosso livro de língua portuguesa para o 5º ano em versão impressa e digital:
Washington Luiz Bastos Conceição. “Os milagres da televisão”. Disponível em: <http://washingtonconceicao.blogspot.com.br/2013/09/os-milagres-da-televisao.html>. Acesso em: 20/05/2014. Nós também gostaríamos de utilizar a imagem abaixo (uma foto minha) para fazer uma ilustração sua, no livro. A ilustração ficará nos moldes da imagem anexa.”
Bem, para abreviar a história: o contato resultou na assinatura de um contrato de autorização de uso de minha crônica no livro didático que seria publicado ainda naquele ano.
Mantive, por algum tempo, contato com o representante até que seu endereço de e-mail mudou.
Por várias razões, não acompanhei o assunto, deixei passar o tempo, até que, na semana passada, resolvi saber da publicação, entrei em contato com o site da Oxford e perguntei sobre ela. Recebi uma pronta resposta por e-mail, muito gentil, assinada pela representante de Serviços Educacionais da editora:
“Escrevo em resposta à sua solicitação, encaminhada hoje pela manhã.
Conforme contratado, o texto de sua autoria foi publicado no nosso livro do 5º ano do Programa Múltiplo de Educação, na disciplina de Língua Portuguesa.
Encaminho anexo um PDF com as páginas do livro em que o texto aparece para que você possa ver como ficou.
Espero que goste do resultado final!”.
Abri o arquivo e tive a satisfação de ver como foi publicada minha crônica no livro, com duas ilustrações muito sugestivas mais a da minha fotografia, na referência ao autor. O texto sofreu reduções para se enquadrar no projeto do livro, mas o tema da evolução da televisão foi preservado. Fiquei muito feliz por ter participado da publicação.
Quando mostrei o arquivo aos familiares, um dos filhos declarou: “Fiquei emocionado! E os desenhos! O Vô Osmar ficou feliz pra caramba!”. Minha cunhada também se lembrou de meu pai. Por quê?
Porque meu pai, antes de se formar em direito, foi professor – professor de Português. Depois que se aposentou, após uma reciclagem, voltou a dar aulas, por puro prazer de ensinar. Quando parou, tinha mais de 70 anos.
Sensibilizado, pensei que, afinal, talvez eu nunca me aventurasse a escrever se não tivesse tido meu pai como mestre do idioma, a vida inteira. Ele era, em casa, professor de Português “full time” Não permitia que os filhos falassem errado – o vocabulário, as concordâncias de gênero e número, a regência dos verbos, a conjugação de nossos terríveis verbos irregulares – eram sempre elogiados ou corrigidos na hora, de uma forma construtiva, ensinando. Claro, essa formação doméstica ajudou muito os filhos no estudo e, depois, no trabalho e no convívio social.
Já escrevi sobre sua vocação na crônica “Uma escola com seu nome”, publicada neste blog em 6 de abril de 2012.
É estranho, muito estranho, que o assunto da publicação de um texto meu em um livro didático de Língua Portuguesa tenha surgido nestes dias, provocando esta crônica em que volto a falar dele. Estranho, porque estamos em outro 6 de abril, dia de seu aniversário.

Washington Luiz Bastos Conceição