Cara leitora ou prezado leitor:
Esta é a décima-primeira crônica da série “D.
Izaura e sua gente”. Prossigo com as histórias.
Observação: Para conhecimento ou rememoração do leitor quanto às pessoas da família mencionadas no texto, apresento novamente o diagrama genealógico de Izaura e Juca.
Alguns dos moradores do
sobrado eram turfistas, ou seja, apreciavam o turfe e apostavam nos cavalos.
Naquele tempo, o turfe
tinha uma posição de grande destaque, tanto esportivo quanto social; as corridas
de fim de semana eram acompanhadas pelo rádio e os grandes prêmios eram eventos
da alta sociedade. No Rio, então capital do País, o Grande Prêmio Brasil, realizado
no hipódromo da Gávea, era um evento anunciado e reportado no Brasil todo. As
duas principais revistas, Cruzeiro e Manchete (esta, a partir da década de
1950) publicavam longas e detalhadas reportagens com fotos espetaculares das
corridas e das pessoas notáveis em seus trajes de gala; as mulheres
elegantíssimas, com vestidos maravilhosos e chapéus espetaculares.
Em São Paulo, o Grande Prêmio São Paulo seguia o modelo do Rio. O belo hipódromo de Cidade Jardim se engalanava para a festa.
Eu, particularmente,
antes de frequentar a casa de D. Izaura, não prestava atenção no turfe, apenas
sabia dos grandes eventos pela imprensa e o nome de alguns cavalos famosos; nunca tinha ido a um hipódromo, muito menos apostado em cavalos. Foi lá que
passei a escutar as conversas dos turfistas da casa, sobre os grandes prêmios e
sobre as corridas habituais dos fins de semana.
Ao longo dos anos, os
cavalos e jóqueis principais, que corriam em ambos os hipódromos, eram mencionados. Cavalos e éguas campeões, como Helíaco, Garbosa Bruleur,
Tirolesa e Gualicho, e jóqueis extraordinários como Luiz Rigoni e Luiz Gonzales.
Gualicho, único bicampeão dos Grandes Prêmios Brasil e São Paulo
Havia diálogos assim:
“O cavalo "X" é muito
bom”.
“É, mas na areia ele
não corre bem” ou “É, mas desta vez quem vai montá-lo é um novo jóquei”.
“O jóquei “fulano de
tal” usa freio; eu prefiro o “sicrano” que usa bridão”.
Quanto a apostas, de
vez em quando havia uma dica sobre o resultado de um páreo:
“Um amigo meu, que
frequenta o Jóquei Clube, teve uma informação “de cocheira”: esse cavalo novo
do quarto páreo, que não é favorito, deve ganhar – está “na ponta dos cascos”.
“Nesse páreo, vou
apostar no cavalo “X”, que não está muito cotado. É um ‘tiro’.”
Lembro-me de que, no
sobrado, os turfistas eram o Dr. Lauro, o Gentil, e o Lúcio. Soube,
recentemente que o primeiro, com D. Yolanda, ia ao hipódromo nos eventos
importantes.
Para apostar, o Gentil ia de automóvel à sede do Jockey Club no centro da cidade, no domingo, pela manhã. Eles deviam usar, também, “bookmakers” como alternativa. À tarde, torciam animadamente em torno do rádio do salão, ouvindo ansiosos a irradiação do “speaker” especialista em turfe (o mais famoso, em São Paulo, era Vicente Chieregati).
Uma certa ocasião, o
grupo estava em baixa, não conseguia acertar nas apostas. Ficaram preocupados, conversaram e resolveram substituir o rádio por um novo, pois concluíram que o antigo estava dando azar...
Ciumara, a
irmã de Leilah, herdou o rádio da sala. Só não sabemos se é o primeiro ou o
segundo desta história. Ei-lo:
Washington Luiz
Bastos Conceição
Notas:
1ª. A foto de Gualicho foi obtida de
pesquisa no Google. Link:
2ª. Cara leitora ou prezado
leitor: Abaixo, a lista das dez primeiras crônicas da série:
1) D. Izaura e sua gente – Introdução
2) D. Izaura e sua gente – A casa e os moradores
3) D. Izaura e sua gente – Leilah na Galvão Bueno
4) D. Izaura e sua gente – Vovô Juca
5) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 1
6) D. Izaura e sua gente – Apresentando as pessoas – 2
7) D. Izaura e sua gente – O baile do Odeon
8) D. Izaura e sua gente – Lembranças do Gentil
9) D. Izaura e sua gente – Festinhas no sobrado
10) D. Izaura e sua gente – O vestibular dos rapazes



Interessante. Não dava conta que corrida de cavalo era tão popular assim.
ResponderExcluirO rádio eu conheço bem, mas não sabia da sua origem.
O rádio, peça importante nos lares. Lembro de meu avô escutando a novela Jerônimo. Realmente não sabia de que o turfe fosse tão popular.
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