sexta-feira, 24 de março de 2017

Que fazer?

Criamos o hábito, minha mulher e eu, de assistir diariamente pela televisão aos programas de notícias e comentários. No jornal, lemos mais notícias e as crônicas dos colunistas preferidos e, na revista semanal, artigos e reportagens detalhadas sobre os mais diversos assuntos.
Nestes dias nervosos e sombrios para o nosso País, somos massacrados por más notícias, desanimadoras, preocupantes, irritantes, deprimentes, que nos causam enorme indignação.
Como certamente está acontecendo com a maioria dos brasileiros, analiso e penso no que deveria ser feito para sairmos dessa situação, quanto às ações de recuperação da economia e quanto à reforma política. Desanimo quando considero que os congressistas, de quem depende a aprovação de projetos que envolvem as necessárias emendas na Constituição, são aqueles que mais se beneficiam dos defeitos de nosso sistema político; diretamente (benefícios para si próprios) e, indiretamente, para atender o interesse de suas bases, que tampouco querem perder seus privilégios. Não é razoável esperar que essas pessoas que detêm poder tomem as medidas necessárias para sairmos desta terrível crise.
Nossa situação está muito bem analisada no artigo “A República refém”, do senador Cristovam Buarque, publicado no jornal “O Globo” no dia 18 último. Ele afirma que nossa República está sequestrada “pela burocracia de sua máquina estatal e pelo emaranhado de leis que não permitem seu funcionamento eficiente... pela baixa produtividade de sua economia... pela corrupção que contamina a política... sobretudo, pelo indecente e insano quadro de uma população onde 13 milhões são analfabetos adultos e 60% de jovens não terminam o ensino médio...”. Menciona também que a República é “refém da violência urbana que pode ser considerada como uma guerra civil...”.
E estamos assistindo, agora, a uma luta sangrenta dos políticos pela manutenção do poder, luta que cresce diariamente, de forma manifesta, de modo a prejudicar ainda mais a realização de qualquer medida que possa minorar nossos infortúnios.

Eu me pergunto todo dia: Como poderemos neutralizar essas repulsivas sanguessugas e realizar as reformas necessárias à liberação de nossa República e à recuperação política e econômica de nosso País?
Não tenho a resposta, nem quero fazer qualquer proposta. Tentativas de solução, no passado, foram golpes que, no final, levaram a ditaduras.
Mas, falando sério, que sistema de governo temos nós hoje?

Washington Luiz Bastos Conceição