segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

"Dos Leitores"

É importante, conveniente e atraente a publicação, nos jornais e revistas, de cartas dos leitores sobre artigos e notícias publicadas ou sobre assuntos levantados por eles mesmos, que expressam sua opinião ou fazem críticas e reclamações. Estas, principalmente sobre serviços públicos ou atendimento de empresas. A publicação das cartas é importante porque estimula a comunicação e dá feedback ao periódico, é conveniente porque as cartas são selecionadas pelo editor responsável pela seção e é atraente porque interessa aos leitores em geral.
Não tenho experiência pessoal no envio de cartas desse tipo. Apenas, minha esposa enviou uma vez um comentário ao jornal que assinamos, mas não foi publicado e ela não recebeu qualquer resposta.
Contudo, no meu grupo de almoço de veteranos, ex-colegas da IBM, um deles escreve com frequência aos jornais e seus comentários são publicados e outro teve um caso interessante, que trago agora para o caro leitor ou prezada leitora.

Em sua edição de 05 de outubro de 2016, a revista Veja publicou artigo comentando a absolvição dos réus do chamado massacre do Carandiru, em São Paulo, ocorrido em 2 de outubro de 1992. O título do artigo é “A Origem” e o subtítulo se inicia com a notícia: “Em decisão lamentável, a Justiça anula as condenações de 74 policiais do massacre do Carandiru, em 1992.” e é concluído com a afirmação bastante discutível de que a matança levou à criação da maior facção criminosa do país.
Meu amigo Pimentel enviou carta sobre o assunto à revista, que a publicou na edição seguinte (de 12 de outubro), declarando inicialmente que discordava daquela conclusão explicando que “...O conflito entre presos está diretamente relacionado com as condições inumanas a que são submetidos na prisão. Por exemplo, colocar catorze ou mais prisioneiros numa cela para quatro gera disputa pelo melhor espaço e, obviamente, ódios, brigas e assassinatos. A primeira providência, portanto, é ter presídios com espaço adequado e em quantidade tal que permita a separação de facções e, principalmente, dos presos que aguardam julgamento daqueles condenados em definitivo.”

Concordei com meu amigo, vejo o caso do Carandiru da mesma maneira, pois sempre me pareceu muito semelhante à célebre rebelião de presos ocorrida na “Attica Correctional Facility” em Attica, no estado americano de Nova York, em 1971. Quando esta rebelião terminou, havia 43 mortos, sendo 33 presos e 10 entre policiais e empregados civis do presídio.

Estranho, neste exemplo de carta de leitor a uma revista, foi seu desdobramento:
Inesperada, inusitada, muito curiosa, foi uma carta manuscrita que o Pimentel recebeu diretamente em sua residência, depois da publicação da sua. O remetente é uma pessoa que ele não conhece, que o chama “Professor”, elogia sua carta generosamente, com exageros, e passa a contar particularidades suas, dizendo que sentia o “Professor” não estar presente quando ele comentou com o sobrinho e um amigo deste a carta publicada, que foi muito apreciada pelos três. Sua comunicação ficou por aqui.
Além da estranheza do episódio, algo ilustrativo, muito importante, deve ser destacado:
A revista, ao publicar cartas dos leitores, cita apenas o nome do autor e a cidade onde mora, de forma que reações a uma carta publicada devem ser dirigidas à revista. No entanto, neste caso, meu amigo recebeu a carta em sua residência e o missivista, que se mostra uma pessoa simples, termina dizendo que conseguiu o endereço do “Professor” pela internet.
No mínimo intrigante, o fato é, também, preocupante. Mais um sinal dos tempos.

Washington Luiz Bastos Conceição


 Nota: O esboço desta crônica foi feito antes das horríveis matanças ocorridas nos presídios de Manaus e Rio Branco, no começo deste mês.


2 comentários:

  1. Caro Washington,
    Não se espante. Entre em www.telelistas.net, digite em "nome" Washington Bastos Conceição, "estado" RJ, "cidade" Rio de Janeiro, e você verá o seu endereço por inteiro.
    É a versão eletrônica das Páginas Amarelas.
    Se não houver um grande número de homônimos, a busca se torna muito simples e rápida.
    Um grande abraço,
    Eduardo

    ResponderExcluir
  2. Eduardo, você tem razão, é fácil achar um endereço pela Telelistas. Porém, estranhei a incompatibilidade do perfil aparente do missivista (carta manuscrita, detalhes de seu relato que preferi não mencionar na crônica) com o uso do recurso da internet. Provavelmente, ele teve ajuda.

    ResponderExcluir