quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Uma guerra em três frentes

Nestes dias, não há como escapar do assunto “vírus da Zika”. Seríssimo, é abordado na mídia diariamente, de vários pontos de vista: dos males gravíssimos ligados a ele, das formas de contaminação e, especialmente, de seu terrível transmissor, o “Aedes aegypti”. Este, um mosquito versátil, multitarefa, pois também transmite outras doenças além da Zica: a dengue e a febre com o estranhíssimo nome de chicungunya.
A gravidade da situação levou as instituições responsáveis pela saúde no País a procurar combater a epidemia, dando ênfase à guerra ao mosquito.


Observando as incontáveis imagens exibidas pela televisão de “criadouros”, de lixo, de imóveis abandonados, de piscinas sujas, nas cidades e nas zonas rurais, tenho a impressão de que a guerra ao mosquito poderá amenizar o quadro, mas a eliminação total do mosquito é impossível.
Sou leigo em assuntos médicos em geral. Contudo, minha formação de engenheiro e minha experiência de trabalho me levaram a pensar no que poderia ser feito para combater a epidemia, além do combate ao mosquito.
Considerei o processo que começou com o primeiro doente, provavelmente lá na Floresta de Zika, em Uganda. Só a partir deste primeiro doente, o "Aedes egypti" entrou no processo – e está fazendo um trabalho devastador. O Brasil, além de outros vários países, tem realmente de combater o mosquito – não há dúvida alguma. Porém, tem de ser uma guerra séria, muito mais do que apenas uma operação de marketing das autoridades.
Hoje, além da intensificação nas atividades de identificar e eliminar criadouros com as técnicas em uso já há algum tempo, novos recursos tecnológicos estão sendo criados para maior eficácia nessas operações. Por exemplo, o uso de drones para a observação de lugares de difícil acesso e o uso de aplicativo nos telefones celulares para qualquer pessoa comunicar (com fotos até) a existência de criadouros que venha a observar.
Contudo, repito, penso que é impossível eliminar completamente o mosquito – Hércules não aceitaria esta décima terceira missão. Esta minha conclusão coincide com a afirmação (neste caso, muito bem fundamentada) do infectologista Artur Timerman, em entrevista à Revista Veja datada 10 de fevereiro: ele declara que “é praticamente impossível eliminá-lo (o Aedes aegypti)”.
O que deve ser feito, então, em nosso País?


De forma muito simples, o processo de desenvolvimento das doenças transmitidas pelo “Aedes aegypti” pode ser resumido assim: um doente é picado pelo mosquito, este pica uma pessoa sã e esta adoece.
Logo, teoricamente, para erradicar as doenças, bastaria “blindar” as pessoas, de forma que o mosquito não as picasse, e curar os doentes.

Neste ponto, imagino a expressão fisionômica do prezado leitor ou da cara leitora, pensando ou exclamando: “Caramba Washington, você está de gozação? Ou se tornou o arauto do óbvio?”.
Bem, é claro que tenho de me estender mais um pouco.

O uso de repelentes parte desse princípio, mas entendo que há dificuldades enormes para que toda a população possa usá-lo todo o tempo necessário (outro dia, em uma drogaria, ouvi a vendedora responder a uma cliente que o repelente que ela queria comprar estava em falta).
Além dos repelentes aplicados sobre a pele, há informações, ainda pendentes de confirmação, de que algumas substâncias ingeridas pelas pessoas afastam delas o mosquito. Por exemplo: há muitos anos, um amigo se referiu a uma observação feita em um grupo que passava uns dias em uma praia infestada de mosquitos. Estes atacavam o grupo todo, com exceção de uma das pessoas. A explicação encontrada: esta estava se tratando com vitamina B12. Outra informação, esta bem recente, atribuída a um médico e passada por uma amiga: a ingestão de própolis afasta o mosquito. Acredito que este tipo de "blindagem" merece pesquisas.


A solução para o problema, definitiva para a erradicação da doença, é, certamente, vacinar toda a população e curar os doentes.
Temos notícia do início de trabalho conjunto de laboratórios do Brasil e dos Estados Unidos (Texas), para a obtenção da vacina, e do trabalho de várias instituições (como o Instituto Oswaldo Cruz, no Rio, o Instituto Butantan, em São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas, no Pará) ligados ao vírus e ao mosquito.
Contudo, não há uma previsão otimista de prazo quanto a termos a vacina disponível para a população. 

Portanto, a guerra contra as doenças causadas pelo vírus da Zica tem de ser desdobrada em três frentes: o desenvolvimento e a produção da vacina, o combate à criação do mosquito e a prevenção da população contra as picadas do inseto. É, certamente, uma guerra cara, numa fase de vacas magérrimas, de crise econômica assustadora no País.
O governo brasileiro tem de alocar os recursos necessários para essa guerra, reduzindo despesas menos importantes e menos urgentes (de conhecimento geral). Neste momento em que se divulga intensamente a campanha contra o mosquito, que é parte da luta, e todos os brasileiros são chamados a colaborar, não devem ser esquecidas aquelas verbas especiais autoconcedidas pelos políticos. Estes têm, nessa guerra, uma oportunidade ímpar de mostrar que trabalham pelo bem do País. E poderão divulgar o que realmente fizerem, o que será justo.
O que não queremos é marketing mentiroso.

Washington Luiz Bastos Conceição



domingo, 7 de fevereiro de 2016

“WhatsApp”

Em junho do ano passado, publiquei aqui a crônica “What is up?”. Nela, comentei o uso da nova forma de comunicação digital, por celular, confessando que, apesar dos parentes e amigos já terem embarcado “com armas e bagagens” na nova modalidade de troca de mensagens, eu ainda não tinha o “WhatsApp”. Na verdade, não tinha nem o telefone esperto (que tal a tradução, cara leitora ou caro leitor?).
Pois bem. Em julho, adquiri, devidamente orientado por minha filha, um “smartphone” considerado de qualidade e com a capacidade adequada para o uso que se pode fazer de um aparelho deste tipo, inclusive ler e-books (conforme já faz, há algum tempo, meu amigo Toni).
Não deu outra: hoje sou um usuário quase viciado no tal “WhatsApp” e venho comentar a observação que tenho feito de seu uso pelas pessoas com quem me comunico.
Em primeiro lugar, observo que o uso é eminentemente social. Os parentes e amigos “conversam” o tempo todo mediante mensagens, de maneira assíncrona (pois não é requerida a presença do destinatário na outra ponta no momento do envio), mas com um aviso “on line”. Organizam grupos e tratam dos assuntos mais diversos dentro de cada grupo. E haja papo, fotos, figurinhas (“emojis”), vídeos e “links”. Em cada grupo, as conversas se cruzam, às vezes um dos participantes responde uma pergunta feita algumas mensagens atrás e o diálogo fica cruzado. Uma qualidade muito importante é o alcance: por exemplo, meu segundo filho, que mora na Califórnia, está no grupo da família e entra na conversa o tempo todo (antes, nos e-mails, era lacônico); em seu aniversário, todos o cumprimentamos pelo “WhatsApp”, e alguns ainda telefonaram para ele – usando o aplicativo.
É muito divertido, mas também muito útil quando se trata de assuntos sérios. Por exemplo, a comunicação com os médicos, pois, conforme sua especialização e a condição do cliente, ficam (eles ou elas) disponíveis no aplicativo. Resulta um acompanhamento muito eficiente.
Ao me tornar usuário do novo sistema (“smartphone” mais “WhatsApp”) passei a compará-lo aos outros recursos que uso para a comunicação. Dentre as redes sociais, uso o Facebook, de uma forma bem limitada, após ter fugido dele por muito tempo; não sabia – e ainda não sei – manejá-lo satisfatoriamente. Contudo, resolvi ampliar minha comunicação com os amigos e gosto que ele me lembre dos aniversários.
Para a correspondência em geral, pessoal e de negócios, continuo preferindo o e-mail, por sua forma de comunicação assíncrona e por ser registrada no computador, facilitando seu controle (e, também, investigações policiais, mas isto não é preocupação minha). Permite, ainda, anexar todo tipo de arquivo.
Agora, em termos de “conversa” intensa, frequência e rapidez das mensagens – tanto quanto os interlocutores quiserem – o “WhatsApp” é ideal. Os assuntos, a redação das mensagens, as fotos, as figurinhas, dependem de cada um – é o que acontece com a conversa face a face.
E mais, pelo fato de ser usado em um aparelho portátil, que acompanha as pessoas o dia inteiro, é muito eficaz.

Ao finalizar a crônica “What is up?”, que mencionei acima, escrevi:
“Recebemos, uma semana atrás, o telefonema de um amigo com quem não falávamos há anos. Jovem, da geração de meus filhos, mora no Pará. No final da conversa, pediu o “meu” "WhatsApp” e respondi que ainda não o tenho. Naquele momento, decidi: passarei, em breve, a usar um “smartphone” e os respectivos aplicativos de comunicação.”
Se alguém me perguntar “What is up?”, vou responder, todo prosa: agora tenho meu “WhatsApp”.”

Pois é, agora tenho o “meu” “WhatsApp” e estou muito satisfeito com ele.

Washington Luiz Bastos Conceição