domingo, 19 de junho de 2016

Perda de Funções Cognitivas

Nota
Cara leitora ou prezado leitor:
Com esta crônica que trata de um assunto difícil de abordar, pretendo abrir um diálogo com os leitores, entre os quais haverá certamente alguns que, tendo conhecimento específico ou mesmo experiência pessoal, poderão acrescentar informações valiosas mediante seus comentários.


Dentre nossas preocupações maiores com a saúde em geral, males de idosos ligados ao cérebro estão sendo muito discutidos e pesquisados. E nós, os maiores de setenta, vivemos nos perguntando se o mal de Alzheimer vai nos pegar.
Parentes, amigos e conhecidos estão sendo acometidos dessa enfermidade ou de outras de sintomas semelhantes: demência ou perda de funções cognitivas, principalmente de memória, atenção e expressão verbal.
A boa notícia é que, embora considerada incurável, a doença de Alzheimer pode ser tratada, retardando seu avanço e controlando seus sintomas.


Já há algum tempo, recebo e-mails com informações que supostamente interessam aos idosos. Devem interessar também àqueles que têm parentes idosos e, afinal, a todos que pretendem chegar a uma idade avançada. Algumas dessas informações tratam dos sintomas do Alzheimer e acrescentam recomendações sobre como evitá-lo ou retardá-lo. Entre estas, a de que, em suas atividades diárias, cada um exercite movimentos de forma diferente da habitual. Por exemplo, se você for destro, usar mais a mão esquerda (e vice-versa, claro!). Há também a ideia de que passatempos e jogos que exercitem o cérebro mantêm a lucidez do idoso por mais tempo, estimulando-o com desafios e evitando males da velhice.
Outro dia soube, por um amigo, da existência de um treinamento chamado Supera indicado para idosos com o objetivo de evitar ou retardar o Alzheimer.
Interessado no assunto por razões óbvias, fui à Internet colher mais informações. No site (sítio) do Supera, tive informações sobre os tratamentos oferecidos e assisti a alguns dos vídeos explicativos, entre os quais se destacaram apresentações e entrevista da Dra. Carla Tieppo, neurocientista e professora da Faculdade da Santa Casa de São Paulo e da Pontifícia Universidade São Paulo. Fiquei sabendo que o método foi desenvolvido inicialmente para tratar crianças com problemas de desenvolvimento, como transtorno de desvio de atenção, por exemplo, mas foi estendido para o tratamento de idosos para prevenir ou reduzir os efeitos do Alzheimer e males semelhantes. Alguns dos vídeos mostram atividades do treinamento do Supera, que incluem exercícios com o Soroban (ábaco japonês), o cubo mágico, o Sudoku (jogo com números), quebra-cabeças e outros. Fiquei satisfeito por saber que já pratico alguns deles.


Aposentados, mesmo aqueles que encontram algo interessante e importante para fazer, recorrem, na rotina diária, a passatempos. Creio que sou um exemplo destes. Além de escrever, meu atual compromisso de trabalho (compromisso comigo mesmo), faço palavras cruzadas, enfrento logo-desafios do jornal, resolvo problemas de Sudoku e, no computador, jogo o Freecell. Este jogo solitário com as cartas de baralho, da família do Paciência, é hoje bastante conhecido pelos usuários de computador. É um daqueles vários jogos que os fornecedores do software operacional oferecem juntamente com o sistema. Tomei conhecimento do Freecell desde que passei a utilizar um dos primeiros Windows. Na empresa em que eu trabalhava nessa ocasião, algumas pessoas usavam jogos depois de terminadas as atividades do dia (especialmente o atendimento a clientes) esperando uma carona ou melhora do trânsito da volta para casa. O Freecell era um dos jogos utilizados. Naquele tempo, e até me aposentar, eu não precisava jogar, pois o trabalho já me proporcionava ótimos desafios com planilhas complicadas do Excel para análise de informações, planejamento e controle de operações; com o Powerpoint para apoio a apresentações a clientes e com o Project para controle de projetos. Na vida mansa de aposentado, além dos outros passatempos já mencionados acima, passei a jogar o Freecell.
Contudo, considerando minha atual capacidade de atenção, de concentração e, especialmente, de memória, parece-me que tenho de fazer mais exercícios – e vou fazer.

Mesmo havendo divergências dos cientistas sobre uso de medicamentos e novos métodos (como ginástica cerebral, por exemplo), temos de buscar novas atividades para retardar a perda de nossas funções cognitivas, perda considerada normal com o avançar da idade. E, fundamental, conforme recomendam os médicos, temos de nos alimentar adequadamente e cuidar muito bem da saúde, especialmente do sistema cardiovascular.

Washington Luiz Bastos Conceição



Notas:

1) Relaciono abaixo os links de dois dos sites que visitei e de dois vídeos a que assisti:
a)   Entrevista da Dra. Carla Tieppo sobre memória (vídeo): https://www.youtube.com/watch?v=qZAaliNinAQ
b)   Apresentação da Dra. Carla Tieppo sobre funções cognitivas (vídeo):
d)   Neurocientistas brasileiros destacados pela wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Neurocientistas_do_Brasil

1    2)  Visitei também o site da Rede Sarah que, entre diversas atividades, faz reabilitação neurológica. Nesta especialidade, uma das patologias atendidas é a doença de Parkinson.

11 comentários:

  1. Washington, não conheço muito dessa doença... Infelizmente sei que não tem cura e que tudo o que v. mencionou pode, de alguma forma, retardar o processo. Conheço muitos casos em que, no final, a doença prevaleceu... Espero, do fundo do meu coração, que encontrem alguma coisa mais eficaz para essa doença que é muito ingrata com aqueles que tiveram uma vida dinâmica e plena.

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    1. Cara Suely:
      Espero, com você, que os neurocientistas encontrem soluções eficazes para tratamento das enfermidades em questão. Obrigado, mais uma vez, pelas visitas e comentários. Abraços, Washington.

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  2. Além de tudo que o sr. já comentou, também há um app chamado "lumosity" que compreende uma série de joguinhos para trabalhar nosso cérebro, divertido e variado. Com seriedade, curiosidade e atitudes positivas esse alemão passará longe de todos nós!!!

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    1. Querida Ju: Já fiz uma visita ao site do "lumosity", no qual me submeti a um pequeno teste. Ele oferece cursos que vou analisar com você. Washington.

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  3. Do Luiz Antônio, meu amigo desde a nossa infância:
    Alo Washington, li com muita atenção o seu ultimo artigo e informo que sou cruzadista e freecelista. As palavras cruzadas e o freecell me distraem e fazem a cabeça trabalhar. Gostei muito do artigo.

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    1. Caro Luiz Antônio:
      Obrigado pela visita ao blog e pela informação de que meu grande amigo me faz companhia nesse clube seleto dos veteranos atletas do cérebro.
      Washington

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  4. Da Cristiane, jovem amiga da geração de meus filhos:
    Olá Washington! Além do que vc citou (manter a mente ativa, fazendo jogos, resolvendo problemas) vou dar minha contribuição. Mais uma vez na lista, o exercício físico regular é apontado por colaborar tb na melhora da função cognitiva e tb na oxigenação do cérebro! Então deixe a preguiça de lado e continue acompanhando a Leilah nas idas dela à Hidro e aproveite para fazer sua bicicleta ou esteira!
    Bjs,Cris.

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    1. Cara Cris:
      Obrigado pela contribuição e interesse. Continuo fazendo exercícios, cuidando muito para não exagerar e feliz por pedalar cerca de 40km sem sair do lugar e sem correr risco de queda.
      Washington

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    2. Errata: Em vez de 40km leia 4km. A sensação física é que foi de 40km.

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  5. Da Isa, minha prima:
    Washington, quero começar contando que, para mim. a palavra demência era algo assustador: remetia àqueles tipos de rua que perambulavam pelas cidades, de quem as crianças tinham medo. Portanto, quando o médico disse que meu marido não tinha Alzheimer mas demência senil, me senti apavorada. Nem idade para ser chamado de senil ele tinha: 63 anos. O médico tratou de me tranquilizar: demência é apenas uma perda das funções da mente, qualquer perda, grande ou minúscula. Bem, não era Alzheimer, mas não diferia muito e eu nunca entendi essa doença estranha, apesar de ter convivido estreitamente com ela por 10 anos. Havia áreas preservadas, não só as memórias antigas; por exemplo, falava de negócios com conhecimento e lógica, mas em outros pontos a vida real desaparecia e as histórias fantasiosas tomavam vulto. Foi uma longa luta, sem final feliz. E a gente se sente tão pequena, tão desamparada para ajudar a pessoa. Acho que essa perda da identidade que a pessoa sofre é profundamente triste. Quanto a progressos no combate a essas doenças da mente, não estou a par de nada mais concreto. Acho, apenas acho, que os progressos são muito poucos: talvez mais no sentido de retardar o avanço; atacar de rijo as causas, me parece que não. Desculpe, Washington, o tom amargo do comentário, mas você pede depoimentos, análise, etc. sobre o tema, tão atual, de sua ótima crônica. Continue escrevendo sempre suas boas histórias. Abraços. Isa.

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    1. Cara Isa: Agradeço esta sua extraordinária contribuição aos leitores da crônica e, em especial, sua determinação em publicá-la. Um abraço, Washington.

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